A morte de um trabalhador durante a montagem do palco que receberá o show de Shakira, na Praia de Copacabana, provocou forte repercussão neste domingo (26). Gabriel Jesus Firmino, de 28 anos, técnico em segurança do trabalho, foi atingido por uma estrutura que desabou enquanto atuava nos preparativos do evento. De acordo com testemunhas, ele foi socorrido e levado ao Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea, mas não resistiu aos ferimentos.
Em nota, a Polícia Militar informou que agentes do 19º BPM (Copacabana) foram acionados para dar apoio ao Corpo de Bombeiros em uma ocorrência na Avenida Atlântica, na altura do Posto 3. “Segundo informações colhidas no local, uma estrutura de montagem de palco desabou e atingiu um trabalhador. A vítima foi socorrida por equipes do Corpo de Bombeiros ao Hospital Municipal Miguel Couto, mas não resistiu aos ferimentos. A ocorrência foi encaminhada para a 12ª DP e a perícia acionada”, comunicou a corporação.
O Corpo de Bombeiros também detalhou o caso e afirmou que o trabalhador “sofreu esmagamento de membros inferiores em um sistema de elevação”. Ainda segundo a corporação, antes da chegada das equipes de resgate, colegas já haviam retirado Gabriel do equipamento.
Após a repercussão, a organização do evento divulgou nota lamentando a morte do profissional e prestando solidariedade à família. “A organização do evento confirma que um acidente na tarde deste domingo (26/04) lamentavelmente vitimou um profissional que atuava na montagem das estruturas para o show”, informou.
O comunicado acrescenta que “os socorristas prestaram o primeiro atendimento no local e o Corpo de Bombeiros foi imediatamente acionado para o transporte do paciente”. Em seguida, concluiu: “Infelizmente, o profissional veio a óbito no hospital. Neste momento, estamos prestando todo apoio, acolhimento e solidariedade à empresa responsável, sua equipe e aos familiares da vítima”.
O Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos do Rio de Janeiro (SATED-RJ) também se manifestou e cobrou fiscalização nas condições de trabalho em grandes eventos.
“Há que se denunciar o preço que o município do Rio de Janeiro está disposto a pagar para se destacar no cenário do show business internacional. Se por um lado, há toda uma estrutura profissional para receber um artista internacional, por outro, há uma grande discriminação com o trabalhador da cultura que faz o show acontecer, o técnico, sobretudo o terceirizado que se expõe a jornadas exaustivas e condições precárias e degradantes de trabalho”, começou.
“Na montagem do palco, atrás das coxias, nos bastidores, há um exército de profissionais expostos a assédios, sobrecargas de trabalho, riscos ignorados e um submundo trabalhista que a prefeitura e a fiscalização do Ministério do Trabalho insistem em ignora”, disparou.
O presidente do Sated-RJ também pontuou: “A cada grande evento, o SATED-RJ encaminha um conjunto de demandas para que os órgãos públicos tomem as devidas providências, fato constantemente ignorado sob a desculpa de que faltam fiscais para checar as denúncias que chegam”.
“Nenhum espetáculo, produção ou show pode estar acima da vida de um trabalhador”, destacou a instituição.
O show gratuito de Shakira está marcado para o próximo fim de semana na Praia de Copacabana.