A Justiça de São Paulo decidiu nesta quinta-feira (27) manter a prisão preventiva de Deolane Bezerra e dos demais réus da Operação Vérnix, que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
A advogada e influenciadora está presa desde 21 de maio, no Pavilhão Especial da Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior de São Paulo.
A decisão foi tomada pela 3ª Vara de Presidente Prudente durante a reavaliação periódica da prisão preventiva, prevista em lei. Segundo a Justiça, continuam presentes os motivos que justificam a manutenção da medida, entre eles a garantia da ordem pública e econômica, a conveniência da instrução criminal e o risco de continuidade das atividades investigadas.
O Ministério Público também apontou a existência de indícios de uma atuação estruturada e permanente de organização criminosa, além da necessidade de garantir a aplicação da lei penal.
O que diz o Ministério Público
De acordo com a denúncia, a organização investigada seria dividida em três núcleos: decisório, operacional e financeiro. Segundo a acusação, Deolane faria parte do núcleo financeiro e seria a “principal integrante” desse grupo.
Para o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), ela teria utilizado contas bancárias vinculadas a si e às suas empresas para ocultar e dissimular recursos de origem ilícita, além de converter valores em bens de alto valor econômico.
A Promotoria também destacou que dois dos denunciados continuam foragidos, argumento utilizado para defender a necessidade da prisão preventiva.
Operação Vérnix
Segundo o Ministério Público, os investigados fariam parte de uma organização criminosa responsável por ocultar e dar aparência legal a recursos provenientes de atividades ilícitas atribuídas ao PCC.
A acusação afirma que documentos fiscais, bancários e relatórios técnicos apontaram movimentações de grandes quantias e o uso de empresas de fachada e pessoas interpostas, conhecidas como “laranjas”, para dificultar a identificação da origem dos valores.
Em julho, o Tribunal de Justiça de São Paulo negou por unanimidade um pedido de habeas corpus apresentado pela defesa de Deolane.
Defesa contesta
A defesa de Deolane recebeu a nova decisão com surpresa e classificou a prisão como “desnecessária, ilegal e desproporcional”.
Os advogados afirmam que a influenciadora é inocente, não possui qualquer vínculo com organização criminosa e que sua movimentação financeira é resultado de atividades empresariais lícitas e de honorários advocatícios.
A defesa declarou ainda que continuará utilizando os recursos previstos em lei para tentar restabelecer a liberdade da advogada.