William Bonner, de 62 anos, afirmou ter se surpreendido com a reação do público e da imprensa após deixar o posto de âncora do Jornal Nacional, função que ocupou por 29 anos. O jornalista comentou a repercussão positiva da mudança ao falar sobre o novo desafio à frente do Globo Repórter.
Repercussão da saída do Jornal Nacional
Segundo Bonner, desde o anúncio oficial de sua saída, não houve episódios de hostilidade. Pelo contrário, ele relatou ter recebido manifestações de carinho, respeito e reconhecimento, inclusive de pessoas que antes eram críticas ao seu trabalho.
Bonner comparou o tom das homenagens ao padrão adotado pela imprensa quando figuras públicas morrem, quando, segundo ele, os aspectos positivos costumam ser priorizados.
“Eu não passei por nenhuma hostilidade. Até brinquei com algumas pessoas da família — e foi só uma brincadeira, pelo amor de Deus — que, após o anúncio no site do Jornal Nacional, eu me senti como se tivesse morrido. Quando alguém famoso morre e a imprensa publica perfis, em geral o tom é mais leve: claro que entram polêmicas, mas costumam destacar os fatos positivos”, afirmou.
O jornalista disse que ficou especialmente tocado pela mudança de postura de críticos antigos. “Disse à minha mulher: ‘Gente, é como se eu tivesse morrido’. Pessoas que antes me criticavam, eram ácidas nas notas, foram super generosas comigo. Agradeço de verdade, sem ironia, porque havia ali um respeito que muitas vezes, ao longo de muitos anos, não vi ninguém manifestar”, disse.
Mudança na relação com o público
Após deixar a bancada do Jornal Nacional, Bonner afirmou ter notado uma alteração significativa no contato com o público nas ruas. “Aí pensei: ‘Que legal, morri’. E parece que, para algumas pessoas na rua, eu também morri, porque começou uma coisa muito doida. Voltei ao período anterior a 2013: quando saía, era para dar autógrafos; hoje ninguém pede autógrafo, mas as pessoas querem foto e abraço”, relatou.
Abordagens recorrentes em aeroportos
Ele deixou o posto oficialmente no dia 31 de outubro, sendo substituído por Cesar Tralli. O jornalista afirma ver um 'ritual' quando encontra fãs em aeroportos. Primeiro, o espectador lamentava: “Que pena que você saiu, você não tinha que sair do Jornal Nacional”, em seguida dizia: “Mas você está certo, tem que viver, aproveitar a vida, ficar perto da família”. E depois: “O Cesar Tralli é ótimo, gosto muito dele, merece muito”.
Ao concluir, Bonner ressaltou o papel coletivo do jornalismo na defesa de valores democráticos. “Somos muitos brigando pela mesma causa: o respeito à Constituição e a preservação da democracia, conquistada com muita dificuldade. Levo o agradecimento com carinho, mas compartilho com meus colegas. Estou fazendo isso aqui diante de vocês (jornalistas presentes). Fiz um discursinho sem querer”, brincou.