Uma influenciadora americana que acumulou milhões de seguidores nas redes sociais com posts patrióticos e posicionamentos políticos conservadores não existe de verdade. “Emily Hart” é uma personagem criada por inteligência artificial.
Com aparência frequentemente comparada à da atriz Jennifer Lawrence, a suposta influencer viralizou ao publicar conteúdos em defesa de pautas ligadas ao movimento associado a Donald Trump, incluindo mensagens pró-cristão, pró-Segunda Emenda, pró-vida, antiaborto, anti-woke e anti-imigração. As postagens também incluíam imagens provocantes, como fotos de biquíni com a bandeira dos EUA, cenas pescando no gelo, bebendo cerveja e até simulando uso de armas.
De acordo com a revista Wired, a personagem foi criada por um estudante indiano de medicina, identificado como Sam. Ele utilizou a ferramenta de IA Google Gemini para desenvolver uma “garota atraente” voltada especificamente ao público conservador americano.
O próprio criador explicou a estratégia: produzir conteúdos ideológicos combinados com apelo visual. Em uma das postagens atribuídas à personagem, a mensagem era direta: “Se você quer um motivo para deixar de me seguir: Cristo é rei, aborto é assassinato e todos os imigrantes ilegais devem ser deportados”.
Com o sucesso do perfil, Sam passou a lucrar vendendo produtos com temática política e criando conteúdo pago em plataformas semelhantes ao OnlyFans, incluindo material obsceno gerado por IA. Segundo ele, bastava dedicar entre 30 e 50 minutos por dia para obter uma renda considerável enquanto ainda estudava.
O caso de “Emily Hart” se soma a outros perfis fictícios que vêm ganhando espaço nas redes, levantando debates sobre o uso de inteligência artificial na criação de influenciadores e na disseminação de discursos políticos e ideológicos.