Uma médica da Maternidade Célia Câmara, em Goiânia (GO), é suspeita de ter orientado funcionários a não dar alta a pacientes que seriam apoiadores do Partido dos Trabalhadores (PT) durante o fim de semana das eleições.

A denúncia foi encaminhada ao Ministério Público Federal (MPF). Segundo o relato, a mensagem teria sido enviada na sexta-feira (2) por Marcella Segato de Sousa Melo, chefe da ginecologia e obstetrícia da unidade. De acordo com mensagens exibidas pela TV Anhanguera, a médica teria escrito em um aplicativo:

Quem estiver na enfermaria sábado e domingo, não dar alta para ninguém, a maioria é petista.

Médica foi retirada da escala

Em nota, a Maternidade Célia Câmara informou que a manifestação ocorreu em um grupo interno e privado de médicos e que o conteúdo não representa o posicionamento da administração do hospital. A unidade informou ainda que a profissional foi retirada da escala de trabalho.

O hospital declarou que não adota posicionamento político-partidário e que a assistência aos pacientes segue princípios técnicos, éticos e assistenciais.

Decisões relativas à internação, permanência hospitalar e alta devem observar exclusivamente critérios clínicos, técnicos, éticos e de segurança do paciente, independentemente de qualquer convicção política, ideológica, religiosa ou de outra natureza, informou a maternidade.

A instituição também disse que adotará procedimentos para apurar os fatos e que, caso sejam identificadas condutas incompatíveis com as normas, serão tomadas as medidas cabíveis.

Cremego acompanha denúncia

O Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) informou que denúncias relacionadas à conduta ética de médicos são apuradas de forma sigilosa. Segundo o conselho, os casos recebidos diretamente ou dos quais a entidade toma conhecimento passam por análise e podem resultar na solicitação de esclarecimentos ao médico responsável técnico pela instituição mencionada na denúncia.

Secretaria de Saúde apura o caso

A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Goiânia informou que adotou medidas administrativas para apurar os fatos assim que tomou conhecimento da denúncia. A pasta também reforçou às equipes de saúde a necessidade de garantir atendimento adequado, ético e respeitoso a todos os usuários do SUS, independentemente de suas convicções políticas.

O caso ocorreu durante o fim de semana do primeiro turno das Eleições 2026, realizado neste domingo (4).

Leia a nota da maternidade na íntegra

"O Hospital Municipal da Mulher e Maternidade Célia Câmara informa que não adota posicionamento político-partidário e pauta sua atuação exclusivamente pelos princípios que regem a assistência pública à saúde, pela ética profissional e pelos critérios técnicos e assistenciais aplicáveis a cada paciente.

As manifestações mencionadas na solicitação encaminhada pela imprensa ocorreram em grupo interno e privado de profissionais médicos e constituem manifestações de caráter pessoal de seus participantes, não representando, em nenhuma hipótese, posicionamento da Administração do Hospital ou da instituição responsável pela gestão da unidade.

O Hospital ressalta, ainda, que manifestações ou preferências políticas de caráter pessoal não se confundem com as condutas médicas e assistenciais adotadas na unidade. Decisões relativas à internação, permanência hospitalar e alta devem observar exclusivamente critérios clínicos, técnicos, éticos e de segurança do paciente, independentemente de qualquer convicção política, ideológica, religiosa ou de outra natureza.

Diante das informações recebidas, a Administração adotará os procedimentos internos apropriados para apuração dos fatos e de seu contexto, assegurados o contraditório, a adequada instrução e a observância das normas institucionais e profissionais aplicáveis. Caso sejam constatadas condutas incompatíveis com essas normas, serão adotadas as medidas cabíveis.

O Hospital reafirma seu compromisso com uma assistência impessoal, humanizada, ética e tecnicamente orientada, garantindo tratamento isonômico a todos os usuários do Sistema Único de Saúde.

Por fim, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Goiânia informa que, assim que tomou conhecimento dos fatos relatados, adotou as medidas administrativas cabíveis para a apuração da conduta mencionada.

A Secretaria também reforçou a orientação às equipes quanto à necessidade de garantir atendimento adequado, ético e respeitoso a todos os usuários do Sistema Único de Saúde (SUS).

Hospital Municipal da Mulher e Maternidade Célia Câmara - Secretaria Municipal de Saúde (SMS)".