O candidato ao Senado pelo Piauí Danniel Rocha (PSTU) afirmou que o PT atualmente não pode ser considerado um partido de esquerda, mas de centro-esquerda. A declaração foi dada nesta quarta-feira (2), durante sabatina da Meio Norte, na qual o candidato também defendeu a redução da jornada de trabalho para a escala 4x3, criticou a atual distribuição do orçamento público e propôs o fim das emendas Pix e do chamado orçamento secreto.

PSTU diz que PT não é mais de esquerda

Ao ser questionado sobre a possibilidade de uma união entre partidos considerados de esquerda no Piauí, Danniel Rocha afirmou que o PSTU não se identifica com a atual posição do PT.

“O PSTU, inclusive, nem tem essa leitura de que o PT hoje, por exemplo, seja uma esquerda. Nós estamos falando ali talvez de uma centro-esquerda.”

Segundo o candidato, o PT dos dias atuais possui uma estrutura e projetos diferentes daqueles defendidos pela legenda na década de 1980.

“Não é o que a gente conhecia do PT lá da década de 80. É outra estrutura, com outros projetos. A gente acredita que tem que ir adiante.”

Danniel também criticou a polarização política entre direita e esquerda e afirmou que o PSTU pretende apresentar uma alternativa ao que classificou como “esquerda tradicional” e “esquerda do poder”.

Foto: Waldelúcio Barbosa / MeioNews

Candidato defende escala 4x3

O candidato também defendeu a redução da jornada de trabalho para quatro dias de trabalho e três de descanso. Para ele, a escala 5x2, atualmente discutida no Congresso, não seria suficiente.

“Nós achamos que o debate da escala 4x3 é necessário.”

Segundo Danniel, a redução da jornada permitiria que trabalhadores tivessem mais tempo para a família, o lazer e a participação política.

O candidato afirmou ainda que a escala 6x1 contribui para o afastamento dos trabalhadores da atividade política devido ao cansaço provocado pela jornada.

“Com seis dias de trabalho, às vezes até mais, você pega um extra no final de semana, então com seis, sete dias de trabalho a energia para participar da política está pequena.”

Foto: Waldelúcio Barbosa / MeioNews

Orçamento deve priorizar trabalhadores, diz candidato

Ao falar sobre o orçamento público, Danniel defendeu maior participação direta dos trabalhadores nas decisões sobre a aplicação dos recursos. A proposta do PSTU, segundo ele, envolve a criação de conselhos populares por áreas temáticas.

O candidato também criticou o peso do pagamento da dívida pública no orçamento federal.

“A única coisa que é prioritária no orçamento público federal é o pagamento da dívida pública.”

Segundo Danniel, entre 42% e 44% do orçamento federal, que ele estimou em cerca de R$ 5 trilhões, é destinado anualmente à dívida pública.

Ele afirmou que a prioridade deveria ser invertida, com investimentos em áreas como saúde, educação, segurança e transporte antes do pagamento aos credores.

“Nós queremos que a gente possa discutir primeiro as necessidades da classe trabalhadora.”

Danniel defende fim das emendas Pix

Questionado sobre as emendas Pix e o orçamento secreto, o candidato defendeu o fim dessas modalidades de distribuição de recursos.

“É para acabar. Isso daí não existe.”

Danniel voltou a criticar a participação do Legislativo na execução do orçamento federal e defendeu que a população tenha maior influência sobre as decisões relacionadas à aplicação dos recursos públicos.

PSTU propõe estatização da saúde

Outra proposta apresentada pelo candidato foi a estatização dos serviços privados de saúde. Danniel afirmou que o fortalecimento do sistema público seria o caminho para reduzir a necessidade da rede privada.

Segundo ele, o objetivo seria garantir hospitais públicos com recursos suficientes, equipamentos modernos, atendimento de prevenção e alta complexidade, além da integração entre universidades e serviços de saúde para produção de ciência e tecnologia.

“Nós acreditamos que não tem alternativa a isso, nós precisamos estatizar, nós precisamos fazer investimento público grandioso na educação.”

Embora a declaração tenha ocorrido durante a discussão sobre saúde, o trecho citado pelo candidato se referia especificamente à necessidade de estatização e de investimentos públicos na educação e na produção científica.

Foto: Waldelúcio Barbosa / MeioNews

Candidato defende mais investimento em educação

Ao discutir tecnologia e soberania nacional, Danniel defendeu o aumento dos investimentos públicos em educação para 10% do Produto Interno Bruto (PIB).

Ele afirmou que o país precisa desenvolver tecnologia própria e evitar a chamada “exportação de talentos”, quando profissionais formados no Brasil deixam o país para trabalhar no exterior.

O candidato citou o Pix como exemplo de tecnologia desenvolvida no Brasil e defendeu investimentos em pesquisa para que o país consiga produzir tecnologias de maior valor agregado, inclusive relacionadas à exploração de terras raras.

“Nós estamos falando da ordem de 10% do PIB na educação.”

Danniel também defendeu a participação do Estado em setores considerados estratégicos e afirmou que o país deveria agregar mais valor aos produtos que exporta.

Danniel critica alianças entre esquerda e direita

Ao analisar a disputa pelo Senado no Piauí, o candidato criticou alianças eleitorais que reúnem partidos de diferentes campos políticos.

Ele citou municípios onde, segundo sua avaliação, grupos políticos ligados ao presidente Lula, ao governador Rafael Fonteles e ao senador Ciro Nogueira estariam reunidos em uma mesma composição eleitoral.

Para Danniel, essas alianças demonstram que a polarização existente entre eleitores não necessariamente se repete entre os grupos políticos.

O candidato afirmou que o PSTU pretende apresentar uma alternativa aos eleitores que não se identificam com os principais grupos políticos.

Candidato afirma que PSTU busca renovar quadros

Danniel Rocha também explicou que sua candidatura faz parte de um processo de renovação dos quadros do PSTU.

Segundo ele, o partido pretende apresentar novas lideranças nas eleições e ampliar a participação de trabalhadores na política institucional.

“A nossa batalha é pela renovação de quadros.”