- Republicanos afirma que Cleitinho Azevedo não será candidato a governador de Minas Gerais em 2026.
- Assessoria de Cleitinho nega a informação e afirma que ele mantém intenção de disputar a eleição.
- Cleitinho liderava pesquisa Quaest, mas ausência na convenção estadual gerou críticas do partido.
- Republicanos apoia Marcelo Aro como candidato após desistência de Cleitinho.
- Legislação eleitoral exige filiação ao partido até 4 de abril para candidatura a governador.
O Republicanos afirmou nesta quarta-feira (29) que o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) não será candidato ao governo de Minas Gerais nas eleições de 2026. Pouco depois do anúncio, porém, a assessoria do parlamentar negou a informação e afirmou que ele mantém a intenção de disputar o cargo.
A informação sobre a desistência foi confirmada à GloboNews pelo presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, por volta das 10h20. Cerca de 40 minutos depois, a assessoria de Cleitinho divulgou nota rebatendo a declaração e sustentando que o senador seguirá como pré-candidato.
A divergência ocorre um dia após Cleitinho aparecer na liderança da pesquisa Quaest divulgada na terça-feira (28). O senador liderou todos os cenários testados para a disputa pelo governo mineiro, tanto no primeiro quanto no segundo turno.
Republicanos aponta falta de definição
Em nota, o Republicanos afirmou que a ausência de Cleitinho na convenção estadual da legenda, realizada no último sábado (25), teve consequências políticas.
Segundo o partido, "a ausência do senador na Convenção Estadual do Republicanos, apesar das justificativas pessoais, representou um fato político objetivo que produziu consequências inevitáveis".
A legenda também declarou que trabalhou para viabilizar a candidatura, mas criticou a falta de uma definição por parte do parlamentar.
O partido trabalhou duro para que essa candidatura pudesse acontecer. O que faltou foi a decisão inequívoca de quem deveria ser, em primeiro lugar, candidato de si mesmo.
Entenda o impasse
Embora senadores possam trocar de partido sem depender da janela partidária, a legislação eleitoral determina que candidatos estejam filiados ao partido pelo qual pretendem disputar a eleição até seis meses antes do pleito. Em 2026, esse prazo terminou em 4 de abril.
Como não existem candidaturas avulsas no Brasil, o registro depende da legenda. Na prática, cabe ao partido decidir quais nomes serão oficialmente lançados.
Vídeo e indefinição
Na terça-feira (28), Cleitinho publicou nas redes sociais um vídeo produzido com inteligência artificial em que conversa com o pai e o irmão, Mateus Azevedo, morto na semana passada em decorrência de uma leucemia.
Na gravação, o irmão incentiva o senador a seguir em frente e disputar a eleição:
Vá e faça o que precisa ser feito. Nosso pai e eu estamos sendo muito bem cuidados aqui em cima, estaremos orgulhosos de você. Seja forte e corajoso. Não olhe nem para a esquerda nem para a direta, siga em frente.
A indefinição também impactava as articulações da direita em Minas Gerais. O PL aguardava uma posição de Cleitinho para definir o palanque do senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência.
O presidente do partido, Valdemar Costa Neto, afirmou que o senador 'perdeu tempo'.
"Cleitinho muda de ideia toda hora. Perdeu o timing até com o partido, com o Marcos Pereira. Ele é um bom senador. Mas para o Executivo vai ter dificuldade. O mineiro é educado, calmo. Cleitinho daquele jeito mais intenso não vai conseguir vencer no segundo turno", afirmou Valdemar.
Republicanos apoia Marcelo Aro
Sem a candidatura de Cleitinho, o Republicanos oficializou apoio ao ex-secretário de Governo de Minas Gerais Marcelo Aro (PP).
A decisão foi consolidada em reunião realizada na terça-feira (28), com a participação de Marcelo Aro, Flávio Bolsonaro e Marcos Pereira, por videoconferência.
Inicialmente cotado para disputar uma vaga ao Senado, Aro passou a concorrer ao governo mineiro após mudanças nas articulações políticas envolvendo o PSD.