Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente da República neste domingo (25), após virar a disputa contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no segundo turno. Com 53,9 milhões de votos e 51,42% dos votos válidos, segundo os números apresentados no texto-base, Lula garantiu um quarto mandato presidencial, feito inédito no país.

A vitória ocorreu 51 anos depois da morte do jornalista Vladimir Herzog nas dependências do DOI-Codi, em São Paulo, durante a ditadura militar. O resultado também marcou uma mudança em relação ao primeiro turno, realizado em 4 de outubro, quando Flávio recebeu 56,1 milhões de votos (47,03%), contra 53,9 milhões de Lula (45,16%).

Desde a retomada das eleições diretas para a Presidência, em 1989, nenhum candidato que havia terminado o primeiro turno em segundo lugar tinha vencido a disputa no segundo, de acordo com o levantamento apresentado no texto original.

Menos abstenção pode ter favorecido a virada

A participação de eleitores que não haviam votado no primeiro turno aparece entre os fatores que podem ter contribuído para o resultado. Segundo o texto-base, 3,2 milhões de eleitores a mais compareceram às urnas no segundo turno, em meio à mobilização promovida pelo PT.

Após a primeira votação, Lula apontou a abstenção como um dos principais desafios da campanha e direcionou esforços para convencer parte dos cerca de 33 milhões de eleitores ausentes a votar. Em Juiz de Fora, pediu que apoiadores mobilizassem amigos e familiares. A militância também realizou ações de porta em porta.

Canal de Janones mobilizou apoiadores no WhatsApp

O deputado federal André Janones (Rede-MG) teve papel de destaque na mobilização digital da campanha. Um dia após o primeiro turno, ele criou no WhatsApp o canal “Exército do Lula” e convocou apoiadores a atuar na divulgação de conteúdos favoráveis à reeleição.

A iniciativa distribuía áudios, vídeos e tarefas de compartilhamento. De acordo com o texto original, o canal chegou a quase 2 milhões de seguidores nos primeiros dois dias, ultrapassou 6 milhões em 20 de outubro e alcançou 11 milhões neste domingo (25).

Em 11 de outubro, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, determinou a suspensão do canal após pedido da campanha de Flávio. Janones criticou a medida e a classificou como censura. Posteriormente, o canal foi restabelecido por decisão do corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva.

Voto feminino aparece como fator relevante

A diferença entre homens e mulheres nas intenções de voto foi apontada como um dos elementos da disputa. Pesquisa Datafolha divulgada em 15 de outubro mostrava Lula com 49% das intenções de voto entre as mulheres, ante 40% de Flávio.

Entre os homens, o cenário era inverso: Flávio aparecia com 52%, enquanto Lula registrava 40%. Os números indicavam comportamentos distintos entre os dois grupos na reta final da campanha, mas não permitem, isoladamente, determinar o peso de cada um no resultado.

Abstenção entre eleitores mais velhos recuou

Os dados citados pelo Movimento Voto 70+ apontam redução da abstenção entre eleitores com mais de 70 anos: de 58,8% em 2022 para 49,1% no primeiro turno de 2026.

O texto também destaca que Lula tinha vantagem nas faixas etárias mais elevadas. No segundo turno, o voto pôde ser utilizado como prova de vida automática para beneficiários do INSS, inclusive por pessoas que não haviam comparecido à primeira votação.

Debate na Globo entrou na análise da campanha

O último debate presidencial, exibido pela TV Globo na sexta-feira (23), também foi apontado como possível fator de influência na reta final. Durante o encontro, Flávio afirmou que Lula “dá com uma mão e tira com nove dedos”, em referência ao dedo perdido pelo presidente em um acidente de trabalho. O senador pediu desculpas posteriormente.

Na avaliação do colunista responsável pelo texto original, a declaração e a insistência de Flávio em defender o policial envolvido no caso Ana Clara prejudicaram o desempenho do candidato. Essa interpretação, porém, é uma análise do autor, e não um efeito comprovado sobre o resultado eleitoral.

Resultado tem repercussão na América do Sul

A reeleição de Lula também foi apresentada pelo autor como um sinal político para a América do Sul, em um cenário de avanço de forças de direita e extrema direita na região.

Nos dias anteriores à votação, veículos de comunicação brasileiros e internacionais destacaram a importância do resultado brasileiro para o cenário político continental. Na análise do texto original, a vitória do petista representa uma resposta a esse movimento regional.