A candidata ao Senado pelo Piauí Maria Madalena Nunes (PSOL) destacou a baixa representação feminina na política e afirmou que o estado nunca elegeu uma mulher para o Senado. A declaração foi feita nesta quarta-feira (16), durante sabatina realizada pela Meio Norte, na Rádio Jornal 90.3.

Durante a entrevista, Madalena afirmou que a ausência de mulheres nos espaços de decisão é resultado de uma estrutura que, segundo ela, dificulta a participação feminina na política.

“Como é que nós somos maioria na sociedade, como todos sabemos, a maioria no eleitorado e, misteriosamente, nos espaços que decidem a nossa vida, nós somos minoria?”, questionou.

Foto: Isadora Loiola/MeioNews

Ao comentar a participação feminina nas eleições, a candidata defendeu a ampliação da presença de mulheres no Senado, na Câmara dos Deputados e em outras instituições públicas.

“O lugar da mulher é inclusive na política, é inclusive no Senado, é na Câmara Federal, enfim, nos espaços políticos que decidem a nossa vida”, declarou.

A candidata também chamou atenção para o cenário do Piauí. Segundo ela, o estado nunca elegeu uma mulher para o Senado e atualmente não possui uma mulher entre seus representantes na Câmara dos Deputados. Dados do TRE-PI mostram que o eleitorado feminino representa 52% dos eleitores aptos a votar no estado em 2026.

Madalena afirmou ainda que a baixa representação feminina também se relaciona à violência contra as mulheres e defendeu maior participação delas na definição do orçamento e das políticas públicas.

Candidata cita crime organizado e critica militarização

Questionada sobre segurança pública, Madalena defendeu um pacto federativo para enfrentar o crime organizado e afirmou que o problema não seria resolvido apenas com aumento do efetivo policial ou criação de estruturas administrativas.

Durante a resposta, a candidata fez uma declaração sobre a atuação de políticos no crime organizado.

“Porque a gente vê, inclusive, políticos. Políticos que patrocinam as milícias, patrocinam o tráfico, e isso é aceito”, afirmou.

Madalena também declarou ser contrária à militarização da polícia e defendeu uma atuação mais próxima das comunidades.

“Nós do PSOL defendemos, nós somos contra a militarização da polícia, porque nós temos no nosso país a polícia que mais mata, mas também a polícia que mais morre”, disse.

Segundo a candidata, a segurança pública deveria ser discutida em conjunto com outras áreas, como educação, saúde e assistência social, e não de forma isolada.

Foto: Isadora Loiola/MeioNews

Madalena faz críticas à política nacional

Ao falar sobre a disputa presidencial e o posicionamento do PSOL, Madalena afirmou que o partido decidiu não lançar candidatura própria à Presidência e declarou apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Na entrevista, ela também fez críticas a um candidato à Presidência da República, sem citá-lo nominalmente, ao afirmar que ele deveria ser investigado por suspeitas que relacionou a “furtos” e “rachadinha”. A declaração foi apresentada pela candidata como parte das críticas que faz ao cenário político nacional.

Madalena também criticou a influência dos Estados Unidos na política brasileira e citou o presidente norte-americano Donald Trump ao defender a soberania nacional.

“Esse é o maior enfrentamento que nós temos nessas eleições”, afirmou, ao se referir ao que classificou como disputas em torno da democracia, soberania e influência política e econômica.

Candidata aponta "união do PT com oligarquias"

Madalena também foi questionada sobre a dificuldade histórica do PSOL em conquistar maior espaço eleitoral no Piauí. Na resposta, contou que foi uma das fundadoras do partido após sua trajetória de militância no PT e criticou a relação da legenda com grupos tradicionais da política.

“Aqui o PT se juntou com a oligarquia. Tanto é que foi uma das causas de a gente ter saído e ter fundado o PSOL”, afirmou.

A candidata disse que, na avaliação dela, a aproximação entre setores da esquerda e grupos tradicionais dificulta a construção de outras forças políticas no estado.

Ela também afirmou que há pouca representação de trabalhadores, mulheres e pessoas negras no Congresso Nacional e defendeu uma maior diversidade nos espaços de poder.

Foto: Isadora Loiola/MeioNews