A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) informou que acionou a Justiça Eleitoral para solicitar a ampliação do horário de votação em São Paulo neste domingo (25), dia do segundo turno das eleições. O pedido foi motivado por denúncias de que o transporte coletivo da capital paulista não estaria operando com a totalidade da frota determinada pela Justiça.
O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) havia estabelecido que 100% da frota de ônibus municipais estivesse disponível à população durante a votação. Apesar da determinação, passageiros de diferentes regiões da cidade relataram demora para embarcar.
No Terminal Santo Amaro, na zona sul da capital, eleitores aguardaram mais de uma hora para embarcar na linha 6901-10, que segue para Vargem Grande.
Também foram identificados casos de linhas que mantinham a maior parte dos veículos nas garagens. Na linha Vila Carrão–Praça da Sé, por exemplo, dos 17 ônibus previstos para o atendimento, apenas um estava em circulação no início da tarde deste domingo.
Campanha cita frota parada e pede providências
Para fundamentar o pedido de ampliação do horário de votação, a campanha petista citou uma reportagem do colunista Demétrio Vecchioli, que apontou a permanência de milhares de ônibus nas garagens mesmo durante o período de funcionamento das seções eleitorais.
Na representação, a campanha questionou a condução da operação do transporte público e atribuiu a redução da frota a uma decisão administrativa, e não a limitações técnicas.
“A redução da frota não decorre de limitação técnica, mas de opção do órgão gestor, que, ciente da ordem judicial desde a véspera, deixou de mobilizar tempestivamente a operação e mantém quase 4 mil ônibus parados enquanto as seções estão abertas”, afirma o texto.
Além da ampliação do horário de votação, a campanha de Lula também solicitou a prisão do secretário municipal de Mobilidade Urbana, Celso Jorge Caldeira, e do presidente da SPTrans, Victor Hugo Borges.
SPTrans e Prefeitura se manifestam
Em nota, a SPTrans afirmou que recebeu a notificação sobre a determinação judicial apenas no sábado (24). Segundo a empresa, as providências foram iniciadas logo após o recebimento da comunicação, às 13h32.
“Imediatamente após receber a notificação, às 13h32, a SPTrans agiu de forma diligente e proativa, comunicando todas as concessionárias responsáveis pelos 32 lotes operacionais da cidade e transmitindo a determinação judicial para adoção das providências necessárias ao seu cumprimento”, diz o comunicado.
A gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB), por sua vez, argumentou que ampliar a frota em um intervalo curto representa um desafio operacional para as empresas responsáveis pelo serviço.
“Os operadores relataram dificuldades para readequar, de forma imediata, escalas de trabalho, jornadas e rotinas previamente organizadas. A programação dos profissionais também havia considerado o direito à folga e a organização necessária para assegurar o exercício do voto, o que torna ainda mais complexa uma alteração dessa magnitude na véspera da eleição”, diz a nota.
Na manhã deste domingo, Ricardo Nunes afirmou que não considerava necessária a circulação de todos os ônibus da cidade.
“[É uma decisão] equivocada porque a maioria das pessoas mora do lado do seu local de votação”, declarou o prefeito.