O candidato à Presidência da República pelo Missão, Renan Santos, defendeu nesta quarta-feira (26) que o Brasil desenvolva armas nucleares, além de propor a construção de dez novos presídios federais, uma nova reforma da Previdência e um amplo programa de redução de gastos públicos. As declarações foram dadas durante entrevista à Globo, na qual o candidato apresentou parte das propostas de seu plano de governo e falou sobre segurança pública, economia e política externa.
Armas nucleares
Ao ser questionado sobre declarações anteriores a favor de uma bomba atômica brasileira, Renan voltou a defender o desenvolvimento de armamento nuclear como forma de ampliar a soberania do país.
“Se o Brasil quiser ser uma das cinco maiores nações do mundo, que se presta a sentar na mesa com Estados Unidos, Índia, Rússia e China, ele vai precisar ter soberania, a soberania sobre o seu próprio território, soberania militar, e vai ter que discutir ter bombas atômicas”, afirmou.
O candidato reconheceu que o Brasil não teria condições de desenvolver armas militares nos próximos dez anos. Ele também defendeu que o país deixe o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, citando a Coreia do Norte como exemplo.
“Se a gente quiser ser o eterno Zé Carioca no mundo [...], aceitamos nossa posição submissa. Agora, se a gente quiser ser uma nação séria e respeitada nos próximos 30 anos, nós precisamos ter armas nucleares”, declarou.
Segurança pública
A segurança pública é um dos principais pontos do programa de Renan Santos. O candidato afirma que pretende declarar “guerra ao crime” no primeiro dia de governo e adotar medidas mais rígidas contra integrantes de organizações criminosas.
Entre as propostas está a realização de operações para retomar territórios dominados por facções, além da criação de uma Lei Antifacção e da utilização de decretos de Estado de Defesa em determinadas situações.
Durante a entrevista, Renan afirmou que o Brasil vive uma “guerra declarada unilateralmente” contra o crime organizado e defendeu mudanças na legislação penal.
“Se você mora numa favela, o crime organizado manda em você, pode te desalojar da tua casa, pode eventualmente se interessar de maneira sexual pela tua filha e você não tem como se defender”, disse.
O plano também prevê a construção de superpresídios de segurança máxima, inspirados no modelo adotado em El Salvador.
Dez novos presídios
Renan afirmou que pretende construir dez presídios federais, com capacidade estimada entre 30 mil e 40 mil vagas cada. Segundo ele, seriam necessários R$ 6 bilhões para ampliar a estrutura penitenciária.
“Só na parte de presídio, R$ 6 bilhões nós precisamos fazer para abrir vagas e construir dez presídios, cada um de 30 mil a 40 mil vagas. O processo precisa se iniciar desde já”, afirmou.
Atualmente, o sistema penitenciário federal possui cinco unidades de segurança máxima, que juntas têm 1.040 vagas, destinadas principalmente a lideranças de organizações criminosas.
Nova reforma da Previdência
Na área econômica, Renan defendeu uma nova reforma da Previdência. Segundo o candidato, a medida seria necessária para evitar um desequilíbrio das contas públicas.
“Vamos precisar fazer outra reforma da Previdência. Vai quebrar em três anos, você não tem aposentadoria, tá? Vou deixar claro porque eu não sou populista fiscal”, afirmou.
O plano de governo também prevê mudanças na forma de reajuste de aposentadorias e benefícios previdenciários, com a desvinculação desses pagamentos dos reajustes do salário mínimo e correção apenas pela inflação.
Corte de gastos
Renan Santos também apresentou a chamada PEC do Equilíbrio Fiscal, que prevê uma economia de R$ 1,1 trilhão até 2031.
A proposta inclui redução de gastos públicos, mudanças nas regras do abono salarial, redução de isenções tributárias e medidas contra supersalários.
Durante a entrevista, o candidato também defendeu a desvinculação dos pisos de gastos com saúde e educação.
“Hoje esses gastos estão irracionais e estão quebrando pequenos municípios. Tem municípios do interior do Rio Grande do Sul em que a população envelheceu, não está nascendo gente. Então eles precisam de mais gastos com saúde e menos gastos com educação”, declarou.
Mudanças no Bolsa Família
Outra proposta apresentada pelo candidato é a substituição do Bolsa Família por frentes de trabalho remuneradas.
Segundo o plano entregue ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o novo modelo seria direcionado às pessoas em idade economicamente ativa e condicionado à realização de atividades em benefício da comunidade.
Na educação, Renan também propõe mudanças no sistema de cotas, que seria substituído por bolsas baseadas em mérito acadêmico. O programa prevê ainda ampliação de escolas militares, criação de um Código Nacional de Conduta nas escolas e mudanças nas regras de aprovação dos estudantes.
Desfavelização e municípios
O plano de governo estabelece ainda a meta de acabar com as favelas em dez anos, por meio de regularização de áreas, financiamento imobiliário subsidiado e monitoramento por satélite.
A proposta também prevê a criação do crime de “favelização”.
Outra mudança estrutural apresentada pelo candidato é a redução do número de municípios brasileiros. Renan propõe diminuir as atuais 5.570 cidades para cerca de 1.600, unindo municípios considerados fiscalmente inviáveis.
Política externa
Durante a entrevista, Renan também criticou a política externa do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e afirmou que o Brasil estaria excessivamente alinhado aos interesses chineses.
“O Brasil, hoje, é um vassalo da China, de acordo com a ação política do Lula, no cenário global. Onde há uma briga internacional envolvendo interesse chinês, Lula se pronuncia favoravelmente à China”, afirmou.
O candidato também disse que o cenário internacional passará por uma nova configuração de poder e defendeu que o Brasil amplie sua capacidade de defesa e atuação internacional.
“O mundo vai mudar muito, o mundo vai se reconfigurar. O Brasil vai ter que ser capaz de se defender nas próximas décadas”, declarou.