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Além de Christa Pike, conheça outros casos de execuções malsucedidas nos EUA

Histórico de falhas na pena de morte revela riscos e erros em diferentes métodos

  • Christa Pike, condenada à morte, sobreviveu a execução por injeção letal em Tennessee após falha no acesso intravenoso.
  • Condenada em 1995 por homicídio, Pike colaborou com equipe médica durante tentativa de aplicação da injeção letal.
  • Execuções malsucedidas são comuns nos EUA, com 3% dos casos entre 1890 e 2010 apresentando falhas.
  • Procedimento em 2024 com gás nitrogênio marcou primeira execução desse tipo nos Estados Unidos.
  • Equipe médica enfrentou dificuldades em estabelecer acesso intravenoso, levando a suspensão da execução de Smith.
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O caso de Christa Pike, condenada à morte nos Estados Unidos, voltou a chamar atenção para o histórico de execuções malsucedidas no país. Na noite de quarta-feira (30 de setembro), duas doses de injeção letal teriam sido aplicadas, mas a mulher sobreviveu e foi levada em estado grave a um hospital no Tennessee. Segundo informações divulgadas por sua defesa, ela chegou a colaborar com a equipe responsável pelo procedimento, indicando possíveis locais para encontrar uma veia.

O episódio se soma a uma série de falhas registradas ao longo da história da pena de morte americana. De acordo com o Death Penalty Information Center, cerca de 3% das execuções realizadas nos Estados Unidos entre 1890 e 2010 apresentaram problemas.

Os enforcamentos concentraram o maior número de execuções malsucedidas no levantamento, com 85 casos. Entre eles está o de Tom Ketchum, conhecido como Black Jack, executado em 1901. Durante o procedimento, sua cabeça foi separada do corpo após os responsáveis não considerarem adequadamente as mudanças em seu peso durante o período em que esteve preso.

A cadeira elétrica também registrou episódios graves. Em 1990, Jesse Tafero, condenado pelo assassinato de dois policiais na Flórida, sofreu queimaduras na cabeça durante a execução. O problema teria ocorrido porque uma esponja sintética, que não conduzia eletricidade adequadamente, foi utilizada sob o eletrodo. Sua companheira, Sonia Jacobs, também havia sido condenada à morte pelo crime, mas teve a pena convertida em prisão perpétua.

Em 1997, Pedro Medina também sofreu um incidente semelhante durante uma execução na Flórida. Na ocasião, funcionários da prisão precisaram apagar as chamas que atingiram sua cabeça, enquanto a fumaça se espalhava pela câmara de execução, segundo relato publicado pelo Los Angeles Times

Criada com a proposta de ser um método mais moderno de execução, a injeção letal também acumulou falhas. Até 2010, foram registradas 75 tentativas malsucedidas, segundo o levantamento citado.

Em 2014, Clayton Lockett, condenado por estupro e assassinato, enfrentou complicações durante o procedimento em Oklahoma. Um profissional de saúde tentou inserir uma agulha na região da virilha, e o sangue atingiu o médico responsável. Um paramédico relatou ao jornal britânico The Guardian que alertou a equipe sobre a possibilidade de a agulha ter atingido uma artéria.

O Alabama também registrou três tentativas de execução problemáticas em 2022. Os condenados apresentaram marcas de perfuração, hematomas e cortes após repetidas tentativas de acesso às veias.

Um dos casos foi o de Kenneth Smith, condenado pelo assassinato de Elizabeth Sennett, ocorrido em 1988. Em novembro de 2022, sua execução foi suspensa por decisão judicial, mas a informação não chegou a tempo à equipe que o preparava para o procedimento.

Documentos da Suprema Corte indicam que três profissionais passaram 81 minutos tentando estabelecer um acesso intravenoso. Foram feitas diversas tentativas nos braços, nas mãos e na região do pescoço ou da clavícula. A equipe chegou a reposicionar a maca antes de abandonar o procedimento.

Smith foi executado em janeiro de 2024, na primeira execução por gás nitrogênio realizada nos Estados Unidos. O procedimento durou aproximadamente 25 minutos.

Christa Pike foi condenada à morte por homicídio em 1995. Segundo seu advogado, Stephen Ferrell, ela tentou ajudar a equipe responsável pela execução a encontrar uma veia adequada para a aplicação da substância letal.

“A Sra. Pike não apenas cooperou, mas tentou ajudar a orientar as pessoas que estavam buscando os acessos intravenosos sobre onde poderiam encontrá-los”, declarou Ferrell. Ele afirmou que a condenada indicou repetidamente regiões do corpo onde os profissionais poderiam tentar o acesso e agradeceu quando acreditou que haviam conseguido.

De acordo com o advogado, Christa permaneceu colaborativa e tranquila durante o procedimento, apesar das dificuldades enfrentadas pela equipe médica.

Assista aos episódios do Entretêcast, podcast do Entretêmeio