Felipe Prior |
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A Justiça do Distrito Federal aceitou denúncia apresentada pelo Ministério Público do DF (MPDFT) e tornou o ex-BBB Felipe Prior réu por crimes contra as relações de consumo e por suposto abuso da boa-fé ou inexperiência de vítimas para induzi-las a apostas prejudiciais.
Felipe Prior vira réu por suposto esquema predatório com apostas esportivas. Foto: Reprodução
Segundo a denúncia criminal, Prior seria um dos responsáveis por disseminar publicidade enganosa ligada à plataforma de apostas esportivas Seu.bet.br. O Ministério Público afirma que o influenciador integrava um “esquema de publicidade enganosa e predatória”, estruturado para atrair consumidores considerados “hipervulneráveis mediante promessas ilusórias de lucro”.
Felipe Prior vira réu por suposto esquema predatório com apostas esportivas. Foto: Reprodução
Ao aceitar a denúncia, o juiz afirmou que “a peça acusatória descreve, com suficiente clareza, a exposição do fato criminoso com todas as suas circunstâncias, a qualificação do denunciado, a classificação do crime e o rol de testemunhas, não sendo o caso de rejeição”.
De acordo com a investigação, Felipe Prior teria contrato prevendo pagamento fixo de R$ 20 por cada novo cadastro com depósito mínimo, além de participação direta de 15% sobre a receita gerada pelas perdas dos apostadores indicados por ele.
Ainda segundo o MPDFT, o ex-BBB utilizava seu alcance nas redes sociais, incluindo Instagram e grupos no Telegram com mais de 101 mil inscritos, para divulgar anúncios que “distorciam a realidade das operações de apostas”. Entre as estratégias citadas está a chamada “alavancagem 10x”, em que seriam prometidos ganhos de até R$ 5 mil em 24 horas a partir de investimento inicial de R$ 20.
Felipe Prior vira réu por suposto esquema predatório com apostas esportivas. Foto: Reprodução
O Ministério Público também afirma que Prior oferecia falsa garantia de devolução do valor investido em caso de perda, chamada de “red”, criando “ilusão de segurança em uma atividade inerentemente aleatória”.
Para o promotor Paulo Roberto Binicheski, o enriquecimento do influenciador dependeria diretamente do prejuízo financeiro dos seguidores. O órgão chegou a comparar a dinâmica a um esquema Ponzi, fraude baseada em promessas de altos lucros com baixo risco.
Além do processo criminal, o MPDFT pediu pagamento de R$ 1 milhão por danos morais coletivos.
Decisão anterior
Em março, a 14ª Vara Cível de Brasília já havia determinado que Felipe Prior apagasse publicações nas redes sociais que prometiam ganhos certos com apostas esportivas.
A decisão também proibiu o influenciador de divulgar conteúdos que associassem apostas a lucro garantido, ganho fixo ou ausência de risco. Em caso de descumprimento, foi fixada multa diária de R$ 10 mil, limitada inicialmente a R$ 100 mil.