- Ratinho é denunciado por homofobia após comentar aparência de Tiago Piquilo em seu programa.
- Denúncia foi protocolada pelo deputado Agripino Magalhães, que já apresentou outras representações contra o apresentador.
- A fala de Ratinho, que chamou Tiago Piquilo de "viado", foi considerada preconceito e violência simbólica.
- Acusação será analisada pela Justiça, que avaliará se houve prática criminosa de homofobia.
- STF já definiu que atos de homofobia podem ser enquadrados na Lei nº 7.716/1989.
Apresentador Ratinho |
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Uma declaração feita por Ratinho durante seu programa de televisão passou a gerar desdobramentos na Justiça. Nesta quinta-feira (6), o apresentador, de 70 anos, foi denunciado ao Ministério Público de São Paulo por homofobia após comentar a aparência do cantor Tiago Piquilo durante a edição exibida na noite anterior.
Ao falar sobre a mudança no visual do sertanejo, Ratinho afirmou que o artista estava “com uma cara de viado”. A declaração gerou repercussão nas redes sociais e motivou a apresentação da denúncia.
Tiago Piquilo. Foto: Reprodução/SBT
A ação foi protocolada pelo deputado estadual suplente Agripino Magalhães, que já apresentou outras representações contra o apresentador. Em entrevista à Quem, ele afirmou que esta é a quarta vez que recorre às autoridades por declarações de Carlos Massa, o Ratinho, que, segundo ele, são consideradas ofensivas à população LGBTQIAPN+.
De acordo com Agripino, a nova queixa-crime foi motivada pela fala exibida em rede nacional: “Você pintou o cabelo? Meu Deus… Você tá com uma cara de v*ado”. “Esse tipo de fala não é brincadeira. É preconceito, constrangimento público e reforço da violência simbólica contra a população LGBTQIAPN+”, declarou.
Ratinho é denunciado após fala homofóbica. Foto: Reprodução/SBT
O deputado afirmou que atitudes como essa não devem ser tratadas como algo normal. “Quando a orientação sexual ou a identidade de gênero de alguém é usada para humilhar, ridicularizar ou diminuir uma pessoa, estamos diante de um ataque que precisa ser enfrentado. Preconceito não pode ser tratado como entretenimento. Todo preconceito é violência. E toda violência precisa de resposta. Eu sigo fazendo a minha parte para que a população LGBTQIAPN+ seja respeitada”, pontuou.
Agripino também relembrou outras denúncias apresentadas anteriormente contra o apresentador. Segundo ele, a primeira ocorreu em 2023, após declarações sobre a Parada do Orgulho LGBTQIAPN+, que, na avaliação do deputado, atacavam o evento e desrespeitavam a comunidade.
Agripino Magalhães. Foto: Reprodução/Instagram
A segunda representação teria sido feita em 2025, após a exibição de um quadro em que, segundo Agripino, foram utilizados de forma pejorativa termos como “boiola” e “baitola”. Já a terceira ocorreu em maio deste ano, após comentários que, de acordo com ele, trataram com preconceito demonstrações de afeto entre dois homens e reforçaram estigmas contra casais LGBTQIAPN+.
Até o momento, Ratinho ainda não havia se manifestado sobre a denúncia. O SBT informou que também não comentaria o caso.
A acusação ainda será analisada pela Justiça, que ficará responsável por avaliar se houve prática criminosa. O caso ocorre após o entendimento firmado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em 2019, de que atos de homofobia e transfobia podem ser enquadrados na Lei nº 7.716/1989, utilizada para crimes de racismo.