Marilyn Monroe |
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Um mercado curioso, controverso e altamente lucrativo envolvendo objetos pessoais ligados a Marilyn Monroe continua movimentando cifras milionárias décadas após sua morte. Em meio às celebrações pelos 100 anos de nascimento da estrela de Hollywood, cresce o interesse por itens que vão desde roupas íntimas até exames médicos atribuídos à atriz.
Norma Jeane Baker, nome de batismo de Marilyn, morreu aos 36 anos, em 1962, após o que foi apontado como uma suposta overdose. Ainda que o fim trágico tenha encerrado sua carreira, a imagem da artista como um dos maiores símbolos sexuais do cinema mundial passou a alimentar um mercado paralelo de colecionismo que só cresce com o tempo.
Um dos episódios mais controversos desse universo envolve o destino de objetos retirados após a morte da atriz. Em um necrotério de Los Angeles, um embalsamador teria separado parte do cabelo de Marilyn e outros materiais que seriam descartados. O conteúdo acabou sendo guardado por um funcionário e, anos depois, colocado à venda em um leilão estimado em dezenas de milhares de dólares. O responsável pelo acervo chegou a criar um site detalhando a origem dos itens, mas morreu antes de confirmar a venda.
Ao longo das décadas, peças pessoais da estrela passaram a circular em leilões de alto valor. Sutiãs, meias, documentos médicos, mechas de cabelo e até registros odontológicos já foram arrematados por colecionadores. Em alguns casos, os valores cresceram de forma expressiva ao longo do tempo, impulsionados pela raridade e pelo interesse global em qualquer objeto ligado à atriz.
Um dos exemplos mais conhecidos é o vestido usado por Marilyn em uma apresentação para o presidente John F. Kennedy, que alcançou cifras milionárias em diferentes revendas, consolidando o status da peça como um dos itens mais valiosos ligados à cultura pop.
Atualmente, casas de leilão seguem oferecendo objetos associados à artista, incluindo peças de vestuário íntimo com lances iniciais na casa das dezenas de milhares de dólares, reforçando o apetite do mercado por qualquer fragmento da sua história.
Parte desse acervo histórico chegou a ser centralizado após sua morte. Em testamento, Marilyn deixou seus bens sob responsabilidade de seu professor de atuação, Lee Strasberg. Após a morte dele, itens da atriz foram reunidos e leiloados em eventos que arrecadaram milhões, em um dos maiores conjuntos de memorabilia já associados a uma estrela de Hollywood.
Mais tarde, uma parte dos direitos de imagem da atriz também foi comercializada, permitindo a criação de projetos digitais que recriam sua figura e voz, mantendo a presença da estrela ativa mesmo décadas após sua morte.
O aspecto mais polêmico desse mercado envolve materiais médicos e íntimos. Em 2010, radiografias da atriz foram leiloadas e geraram forte reação pública. As imagens, que incluíam registros da região torácica e pélvica, foram criticadas por especialistas e ativistas, que viram a venda como uma violação da privacidade e da dignidade de Marilyn, mesmo após sua morte.
A discussão ganhou força entre pesquisadores e biógrafos. A autora Sarah Churchwell afirmou ao jornal The Telegraph que a venda desses materiais representa uma invasão da humanidade da atriz, destacando que Marilyn tinha grande preocupação em controlar sua própria imagem em vida e rejeitava registros que não aprovava.
Apesar das críticas, o fascínio em torno da estrela segue ativo. Colecionadores como Scott Fortner mantêm acervos privados com objetos ligados à atriz e defendem que esse tipo de interesse faz parte do impacto cultural deixado por Marilyn, ainda que reconheçam o caráter extremo e controverso da obsessão que ela desperta.




