Casos de doença de Chagas voltam a crescer; saiba como evitar a transmissão

Nova forma de transmissão por contaminação de alimentos preocupa autoridades de saúde

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Doença pode causar desde febre prolongada até complicações cardíacas severas; subida está associada ao açai e outros alimentos | Reprodução: Internet

Nesta semana, a Vigilância Epidemiológica da Bahia emitiu um alerta sobre o surto de transmissão oral da doença de Chagas, após a confirmação de cinco casos e uma morte em decorrência da enfermidade no primeiro semestre de 2023. O problema é uma parasitose causada pelo protozoário Trypanosoma Cruzi. Os modos de transmissão podem variar, mas o jeito mais conhecido é através da picada do inseto popularmente chamado de barbeiro.

Ao picar, o barbeiro defeca e, quando a pessoa coça a região, ela faz com que os parasitas que estão presentes nas fezes entrem na corrente sanguínea. No entanto, um outro tipo de transmissão tem preocupado as autoridades de saúde: a ingestão oral de alimentos contaminados com barbeiros infectados ou suas fezes. De acordo com a Fiocruz, essa forma de transmissão pode ser particularmente grave, pela quantidade de parasitas que entram no organismo.

Alimentos contaminados

Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia, atualmente a maioria dos casos (cerca de 70% deles) é de transmissão por alimentos contaminados. Dentre os alimentos que mais provocam a contaminação, estão o açaí e o caldo de cana, quando preparados de maneira caseira ou artesanal. O açaí, industrializado, passa por um aquecimento a 80°C, resfriamento e lavagem, o que inativa o protozoário e torna o produto seguro para o consumo. 

O perigo se encontra na ingestão daquele preparado por pequenos produtores, que colhem a fruta e vendem o alimento in natura em pequenos estabelecimentos comerciais.  No caso do caldo de cana, o inseto ou suas fezes podem ser moídos junto com a cana-de-açúcar, no processo que dá origem à bebida, contaminando o líquido e aquele que o ingere.

O barbeiro se instala entre o caule e as folhas da cana-de-açúcar e, quando acontece a moagem para a produção da garapa, ele pode ser moído junto, causando a contaminação do alimento e, consequentemente, da pessoa que o consome”, afirma Veridiana Silva de Andrade, cardiologista professora na Unifesp e diretora da Sobrac (Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas) ao UOL. 

Como evitar a transmissão?

A higienização dos alimentos é a principal maneira de evitar a transmissão oral da doença. Além de não consumir aqueles produtos sem procedência e em locais onde a limpeza ou maneira de preparo sejam duvidosos. Com isso em mente, é importante verificar se o estabelecimento tem aprovação da Vigilância Sanitária para manipular e vender alimentos, o que deve ficar exposto em um certificado de fácil visualização para o consumidor no local.

Não são todos os estados que enfrentam o surto da doença por contaminação alimentar, mas é sempre importante ficar atento aos locais onde vai se alimentar, à limpeza e higienização do produto que será consumido sem o processo de industrialização”, diz Valeria Paes, infectologista do Hospital Sírio-Libanês, em Brasília.

Sintomas

A doença de Chagas tem duas fases: a aguda, também conhecida como silenciosa, e a crônica. O diagnóstico é feito por exame de sangue. Na fase aguda, não há sintomas e a pessoa pode passar anos sem saber que possui a doença. Já na fase crônica, há complicações cardíacas com arritmias e aumento do volume do coração. Outros sintomas são:

  • Febre prolongada (mais de 7 dias);
  • Desmaios
  • Fraqueza
  • Dor no peito
  • Falta de ar
  • Tosse
  • Inchaço nas pernas ou no rosto
  • Dores abdominais
  • Dores de cabeça;
  • Crescimento do baço e do fígado;
  • Manchas vermelhas na pele;
  • Inflamação das meninges

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