Entenda como a chegada do El Niño pode afetar a saúde no Brasil

Entenda os efeitos que esse fenômeno exerce no Brasil e as consequências para o nosso cotidiano

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O fenômeno El Niño pode desencadear absorção de carbono mais lenta na América do Sul e surto de doenças | Reprodução: Internet

A cada dois a sete anos, o Oceano Pacífico equatorial fica até 3°C mais quente (o que conhecemos como evento El Niño) ou mais frio (La Niña) do que o normal, desencadeando uma cascata de efeitos sentidos em todo o mundo. Chegou ao fim em fevereiro o fenômeno climático La Niña, caracterizado pelo resfriamento das águas, com isso, tem início a transição para o El Niño, que deve elevar as temperaturas em todo o planeta. Esse ciclo é chamado de El Niño Oscilação Sul (ENSO).

A mudança na temperatura da superfície do mar associada aos eventos ENSO pode parecer marginal, mas é mais do que suficiente para interromper os padrões climáticos globalmente e até mesmo a circulação de ar em larga escala na estratosfera polar 8 km acima da Terra. Durante o El Niño, os ventos diminuem e podem até inverter a direção, permitindo que a água mais quente se espalhe para o leste, chegando até a América do Sul.

A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA) informou que o Oceano Pacífico equatorial retornará ao seu estado neutro entre março e maio dete ano, e é provável que condições de El Niño se desenvolvam durante o outono e inverno do Hemisfério Norte. Dada a forte influência do ENSO nos padrões globais de precipitação e temperatura, os cientistas acompanham de perto o status do Pacífico tropical para fornecer as melhores informações possíveis. 

Como o El Niño pode afetar a saúde no Brasil?

Basicamente, há uma mudança nos padrões de vento, o que acaba afetando as chuvas nos trópicos e nas regiões com latitude média. No Brasil, por exemplo, ele aumenta as temperaturas nas regiões Norte e Nordeste e causa excesso de chuvas no sul, o que prejudica muito a agricultura local. As chuvas no semiárido do Nordeste diminuem ainda mais. O clima seco favorece o surgimento de doenças do sistema respiratório, como rinite alérgica, sinusite e faringite, e de alergias, já que as mucosas das vias áreas tendem a ficar mais ressecadas.

Durante o outono, é comum observar o avanço da Alta Subtropical do Atlântico Sul (ASAS) pelo Sudeste, que favorece períodos mais secos entre as áreas centrais e parte do Sudeste do País, típicas da estação. Há ainda a formação de frentes frias e de instabilidades mais para o Sul do Brasil, Mato Grosso do Sul, no Centro-Oeste, e São Paulo, na região Sudeste.

Com a chegada do frio nas regiões Sul e Sudeste do Brasil, as quedas de temperatura podem ser acompanhadas pelo aumento no número de mortes por acidente vascular cerebral (AVC), principalmente entre a população com mais de 65 anos. Essa associação entre a queda de temperatura e o aumento na incidência de AVC foi demonstrada em um estudo que envolveu dados de mortalidade e dados de estações meteorológicas de 2002 a 2011 na cidade de São Paulo. Os autores verificaram também que entre os idosos a incidência de AVC associada a quedas na temperatura média é maior entre as mulheres. Além disso, as doenças respiratórias no inverno reaparecem, causando desconfortos e facilitando a disseminação dos vírus nos ambientes, principalmente os mal ventilados.

Absorção de carbono mais lenta na América do Sul e surto de doenças

A América do Sul é onde os efeitos do ENSO foram documentados pela primeira vez por pescadores peruanos séculos atrás. Dada a proximidade com o Oceano Pacífico equatorial, o clima sul-americano é significativamente perturbado sempre que ocorre um evento El Niño, com inundações nas costas oeste do Peru e Equador e seca na Amazônia e nordeste, onde as consequências da quebra de safra podem repercutir em todo o o continente.

Durante os eventos do El Niño, a queda da precipitação e o aumento da temperatura na Colômbia foram associados a surtos de doenças transmitidas por insetos, como malária e dengue. Temperaturas mais altas durante o El Niño aumentam as taxas nas quais os mosquitos se reproduzem e picam. Em outros lugares durante um El Niño, a Floresta Amazônica seca e o crescimento da vegetação diminui para que menos CO2 seja absorvido da atmosfera, uma tendência repetida nas florestas tropicais da África, Índia e Austrália.



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