Mancha Verde é bicampeã do Carnaval em São Paulo

Com o samba-enredo “Planeta Água”, a escola faz referência a Iemanjá, que nas religiões de matrizes africanas é a orixá das águas salgadas

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Mancha Verde é bicampeã do carnaval de SP | Fabio Tito/g1

PRISCILA CAMAZANO E ALFREDO HENRIQUE

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Mancha Verde conquistou o título do Grupo Especial do Carnaval 2022 em São Paulo após apuração de notas realizada na tarde desta terça-feira (26), no Anhembi.

Com o samba-enredo "Planeta Água", a escola faz referência a Iemanjá, que nas religiões de matrizes africanas é a orixá das águas salgadas.

"Iemanjá! Iê-Iemanjá! / Rainha das ondas, senhora do mar! / Iemanjá! Iê-Iemanjá! / No azul dos teus mistérios eu também quero morar", diz o refrão, fazendo uma saudação a orixá.

A agremiação conquistou seu primeiro título no Grupo Especial no Carnaval de 2019, quando apresentou o samba-enredo "Oxalá, salve a princesa! A saga de uma guerreira negra", onde contou a história da princesa africana Aqualtune, e, por meio dela, discutiu escravidão, intolerância religiosa e direitos humanos.

No último Carnaval, em 2020, a escola esteve perto do título, terminando a apuração como vice-campeã.

Depois de dois anos de espera em razão da pandemia, o tradicional desfile das escolas de samba aconteceu na última sexta (22) e sábado (23), no Sambódromo do Anhembi.

Em meio a lágrimas e muita ansiedade, a alegria voltou a ser sentida pelos integrantes das agremiações.

Na primeira noite dos desfiles, as arquibancadas laterais estavam mais vazias do que em anos anteriores, mas isso não tirou o sorriso do rosto de quem estava no Anhembi.

Mancha Verde é campeã do carnaval de SP pela segunda vez  Foto: Fabio Tito/g1 

A noite também foi marcada por atrasos e falhas técnicas. Os problemas, porém, não diminuíram a empolgação e a emoção de sambistas e foliões pela volta ao sambódromo.

A Acadêmicos do Tucuruvi, primeira escola a ocupar a avenida, estava prevista para entrar às 22h30, mas só iniciou sua evolução quase às 23h.

Desfilando pela primeira vez na avenida, Yasmin Louise Benício Souza, 18, integrou uma das alas da Tucuruvi, e não escondeu a emoção. "Passou muito rápido, a melhor sensação da minha vida e, com certeza, virei nos próximos anos."

Após o desfile da Tom Maior, quarta agremiação a ocupar o sambódromo, foi observado que havia vazado óleo na avenida. Por causa disso, uma equipe da prefeitura precisou limpar a pista, atrasando em cerca de uma hora a entrada da Unidos de Vila Maria.

Penúltima a desfilar, a Acadêmicos do Tatuapé também não ficou livre de problemas. O segundo carro quebrou assim que entrou na avenida, já com o sol raiando.

Apesar dos contratempos, a primeira noite foi marcada por homenagens ao próprio Carnaval e mensagens de esperança.

A Acadêmicos do Tatuapé espalhou cheiro de incenso pela avenida. A Mancha Verde animou a torcida, e a Colorado do Brás fez o público cantar alto nas paradinhas.

Se identificando somente como Pitica, uma senhora que compôs uma das alas da Acadêmicos do Tucuruvi, que homenageou a história do samba, afirmou que seu coração estava a mil, instantes antes de colocar os pés na avenida. "Este Carnaval não é somente para celebrar a festa, mas principalmente a vida."

Nesta primeira noite também desfilaram Colorado do Brás, Unidos de Vila Maria e Dragões da Real.

Já na segunda noite, o sambódromo estava bem mais cheio do que na véspera. Os desfiles foram marcados por um tom político, com críticas ao governo federal, e referências religiosas.

A crítica mais explícita à gestão de Jair Bolsonaro (PL) foi feita pela sexta escola a entrar na avenida, a Rosas de Ouro. O último carro da agremiação mostrou um sósia de Bolsonaro que se "transformou" em um jacaré, referência a um pronunciamento feito por ele sobre a vacinação contra a Covid-19.

Quando uma enfermeira aplicou uma injeção no "presidente", um efeito de fumaça foi feito sobre ele, uma porta secreta girou e um jacaré apareceu.Parte do público, motivado pelo protesto artístico, aplaudiu e passou a gritar "Fora,  Bolsonaro".

A Gaviões da Fiel, segunda escola a desfilar, também fez uma crítica ao governo, mas de forma mais velada.

O hair designer Neandro Ferreira, 55, desfilou usando terno e uma faixa semelhante às usadas por presidentes. Ao lado dele, uma componente da escola, de terninho e saia, também usava uma faixa.

Ferreira estava em uma ala com integrantes representando militares, armados com fuzis. O enredo da Gaviões, "Basta", falava da luta contra o racismo, o fascismo e as opressões.

Antes do Carnaval, Ferreira disse em entrevista ao site F5 que desfilaria como um "Bolsonaro Gay". "Vou vir como um Bolsonaro bem gay, bichíssima, dando muita pinta", afirmou.

Após a repercussão da entrevista e de acusações de homofobia a Ferreira na internet, a Gaviões disse que o personagem que seria interpretado por Ferreira seria um "governante fascista qualquer".

Nesta segunda noite, os desfiles também foram marcados pelas referências religiosas e de mensagens de combate ao preconceito racial.

A Vai-Vai trouxe o samba-enredo "Sankofa", fazendo referência ao pássaro sagrado africano para ilustrar a necessidade de resgatar suas origens. A Mocidade Alegre abordou questões raciais e homenageou a sambista Clementina de Jesus.

A Águia de Ouro abusou das referências às religiões de matrizes africanas, e a Barroca Zona Sul trouxe um samba-enredo sobre o Zé Pelintra.

Nesta noite também desfilou a Império de Casa Verde que contou a história da comunicação.



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