Patriarcado: saiba quem é o grande vilão da vida das mulheres

A conjuntura que vem do patriarcalismo diminui a presença das mulheres no mercado de trabalho, na política e também pode levar a morte

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Segundo Fabíola Lemos, as mulheres são sabotadas nas potencialidades- | José Alves Filho

É um fato inegável que as mulheres têm menor espaço no mercado de trabalho, na política e em espaços sociais. O salário pago a elas é 20% menor que o dos homens, de acordo com o IBGE. Além disso, homens não são mortos pelo fato de serem homens. As mulheres sim.

Neste contexto, o maior vilão da vida da mulher é o homem, principalmente aquele embebido em uma conjuntura patriarcal. A partir de uma cultura enraizada onde os homens aparecem com superioridade às mulheres e elas são vistas como "posse", elas têm a vida prejudicada.

A partir do patriarcado se constroem narrativas violentas - reproduçãoSistema social

O patriarcado, por definição, é como se fosse um sistema social baseado em uma cultura que favorece os homens. É como se fosse um pacto que é selado, em especial, entre homens brancos, cisgêneros e heterossexuais. Há uma proteção mútua entre eles, que termina sendo extremamente danoso para elas.

A partir do patriarcado se constroem narrativas violentas. Ditados populares como "história de marido e mulher ninguém mete a colher", por exemplo. Antes de meter a colher, um feminicídio pode acontecer na casa do vizinho. Ou pior, na casa da filha com o genro. Ou da mãe e do pai.

Cada vez mais próximo da sociedade, independente da classe social, o patriarcado reverbera em abusos, estupros e mortes. Uma menina estuprada, por exemplo, é questionada sobre a roupa que usava, o lugar que frequentava ou se estava bebendo.

Marcela Barbosa, socióloga. Crédito: Divulgação.

Relação de opressão que perdura

A socióloga Marcela Barbosa lembra que, segundo os estudo de Heleieth Saffioti, uma das maiores pesquisadoras da violência de gênero no Brasil, "o patriarcado configura-se com uma relação de opressão e exploração de um gênero sobre outro, no caso o masculino sobre o feminino que submete as mulheres em uma condição de opressão e submissão".

A educação é uma luz no fim do túnel para segurança das mulheres - Arquivo MN

Violência de gênero

Sendo assim, a configuração social, por si só, gera muitos efeitos negativos para as mulheres. "Um dos casos mais gritantes que o patriarcado pode proporcionar é a violência de gênero em todas as suas dimensões, em especial a violência sexual, doméstica e familiar e feminicídio", define Marcela Barbosa.

O patriarcado está presente em vários espaços na sociedade e pode ser identificado nos discursos, nas atitudes, nas relações de trabalho que apresentam desigualdade de gênero, nas relações de poder, na vida política, na família e até nos relacionamentos. 

"Além disso, o patriarcado perpassa as questões étnica/racial, a classe social, a orientação sexual. Portanto, ele age em todas as esferas da vida social e as mulheres dentro do nosso contexto histórico e social sofrem mais", considera a estudiosa em gênero.

O uso da violência passa a ser legítimo na sociedade e é preciso mudar isso- reprodução

Um sistema que desumaniza a mulher

Para Fabíola Lemos, socióloga, a principal mazela do patriarcado é retirar a mulher da configuração de humanidade. É como se esta conjuntura defendesse uma verdadeira destruição de mais da metade da população mundial, que é composta pelo gênero feminino.

Ela explica que esse processo prejudica a mulher em vários setores, diminuindo o potencial da mulher na sociedade. "O patriarcado é a desumanização e o aniquilamento do feminino. Mulheres são sabotadas em suas potencialidades, assumindo um papel de subserviência ao homem. Nesse sentido, o uso da violência passa a ser legítimo, para manter o controle de seus corpos", considera.

Sonhar com um mundo de iguais oportunidades entre homens e mulheres depende da desconstrução do patriarcalismo. "O patriarcado é um sistema de ordenamento cultural, centrado em torno do gênero masculino. Nesse aspecto, a garantia da segurança e liberdade do homem, se dá em torno da perda da segurança e da liberdade da mulher", acrescenta Fabíola Lemos.

Segundo Fabíola Lemos, as mulheres são sabotadas em suas potencialidades- José Alves Filho

Cultura do estupro

O patriarcado é interinstitucional. "Ele está presente em todas as instituições de controle e socialização. Família, escola, religião, ciência, religião e Estado. Um controle permanente que vai desde a esfera privada à pública. Como afirma Michel Foucault: o corpo mais controlado da História", considera a socióloga.

O estupro de uma mulher, por exemplo, acontece dentro deste contexto. 

"A cultura do estupro, só é possível operar, onde exista um sistema de desumanização da mulher. O patriarcado, cria as condições de sanções ao corpo 'indócil'. Se a mulher está com uma roupa 'inadequada' ou em um local de 'liberdade', o estupro torna-se legítimo e aceitável aos olhos da sociedade", revela.

A educação é uma luz no fim do túnel para a segurança das mulheres. "A educação é a forma mais eficiente de combater o patriarcado. Uma educação que elimine a normatização de papéis e performances a partir do gênero. Na medida em que meninos são socializados pela ideia de que o masculino se realiza na violência e na misoginia, a vida das mulheres tornam-se automaticamente, ameaçadas", finaliza.



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