O cardiologista Pedro Paulo Egito, do Hospital Sírio-Libanês Brasília, ressalta que existem características que ajudam a diferenciar os quadros, mas nenhuma delas, isoladamente, é definitiva.
De modo geral, a dor de origem cardíaca costuma ser descrita como pressão ou aperto, localizada atrás do esterno, podendo irradiar para o braço esquerdo, mandíbula ou dorso. Frequentemente surge durante esforço físico e pode vir acompanhada de suor frio, náusea e mal-estar intenso.
Já na ansiedade, a dor tende a ser em pontada ou fisgada, pode mudar de local, piorar com a respiração profunda e surgir mesmo em repouso. É comum estar associada à sensação de medo iminente, hiperventilação e formigamento nas mãos e ao redor da boca.
Ainda assim, Egito faz um alerta: nem todo infarto segue o padrão clássico. Mulheres, idosos e pessoas com diabetes podem apresentar sintomas atípicos. Por isso, não é seguro concluir que se trata apenas de ansiedade sem avaliação médica — o ideal é procurar atendimento com urgência.
No hospital, o primeiro exame realizado diante de dor no peito costuma ser o eletrocardiograma, simples e rápido, capaz de identificar alterações compatíveis com infarto. Medir pressão arterial ou frequência cardíaca em casa não esclarece o quadro, já que tanto a ansiedade quanto um evento cardíaco podem causar elevação da pressão e taquicardia.
As orientações da Sociedade Brasileira de Cardiologia reforçam que toda dor torácica deve ser considerada inicialmente como possível síndrome coronariana até que se prove o contrário.