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HPV: médica alerta para formas de transmissão, sintomas e risco de câncer

Dra. Michele Rodrigues detalhou tipos do vírus, riscos da infecção persistente e reforça a importância da prevenção e do acompanhamento ginecológico periódico

Dra. Michele Rodrigues | Foto: Francisco Clarin/ Meio News
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Em entrevista ao programa Revista da TV Meio Norte, desta quarta-feira (4), data que marca o Dia Mundial de Conscientização do HPV, a médica Dra. Michele Rodrigues esclareceu dúvidas sobre o vírus, explicou as formas de transmissão, os principais sintomas e alertou para os riscos da infecção persistente, que pode evoluir para o câncer.

Durante a conversa com a jornalista Suyane Pessoa, a especialista explicou o que é o vírus e por que ele é considerado tão comum na população.

“O HPV é um vírus que tem afinidade pelo tecido cutâneo-mucoso do organismo. Por isso, ele atinge não só a boca e a orofaringe, mas também vagina, vulva, colo do útero, além do ânus e do pênis, no caso do homem."

Ela destacou ainda a alta capacidade de disseminação do vírus, o que contribui para sua ampla circulação. 

 “É um vírus com muita facilidade de proliferação e multiplicação. Nessa multiplicação, ele acaba tendo mais facilidade de transmissão e de permanência dentro do organismo, podendo causar tanto as infecções que chamamos de verrugas genitais como também estar correlacionado ao câncer genital, envolvendo câncer de colo do útero, câncer de pênis, câncer de vagina, de vulva, de ânus e até mesmo de orofaringe."

A médica esclareceu que nem toda pessoa infectada desenvolverá câncer. Segundo ela, apesar da forte relação entre o HPV persistente e o câncer de colo do útero, a maioria das infecções pode ser eliminada pelo próprio organismo.

 Dra. Michele Rodrigues em entrevista ao programa Revista, da TV Meio Norte (Foto: TV Meio Norte)

“Embora 99% dos casos de câncer de colo do útero estejam correlacionados ao HPV persistente, não é a mesma coisa em relação às infecções. Existem mulheres que podem, ao longo da vida, ter várias infecções por diferentes tipos de HPV, mas também ter a capacidade de eliminá-lo e nunca desenvolver câncer, nem sequer uma lesão precursora", disse.

Ainda assim, alertou que, quando o vírus permanece no organismo por anos consecutivos, o risco de evolução para o câncer aumenta significativamente.

Principais formas e sintomas

Ao detalhar as manifestações clínicas, a especialista afirmou que as verrugas genitais são a forma mais comum de identificação da infecção.

“Clinicamente, a forma mais simples de apresentação são as verrugas genitais. São formações que podem surgir na região externa da vulva, que é visível, ou no pênis. Podem se apresentar desde uma pequena pápula, uma pequena elevação da pele, que pode ter a mesma coloração da pele, ser discretamente mais amarronzada ou arroxeada, com relevo. Podem aparecer de forma única ou disseminada na região genital, formando inclusive uma massa com aspecto tumoral."

Ela acrescentou que, na maioria dos casos, os sintomas são discretos ou inexistentes.

 “Geralmente, a paciente percebe a mudança no relevo e pode observar a região genital com o auxílio de um espelho. No que diz respeito a corrimento, dor ou irritação, a maioria das pacientes é assintomática. Nesse âmbito de sinais e sintomas, grande parte dos casos passa despercebida."

A profissional também reforçou a importância da prevenção e da avaliação ginecológica periódica. De acordo com ela, é o acompanhamento regular com o profissional de saúde que possibilita a identificação precoce da infecção e de possíveis lesões.

Por fim, a médica ressaltou que existem diferentes tipos de HPV, classificados conforme o risco de evolução para o câncer.

"Hoje sabemos que existem vários tipos de HPV: os de baixo risco, com menor capacidade agressiva, e os de alto risco, com maior potencial oncogênico. Esses últimos, diante de um sistema imunológico que não consegue eliminar o vírus, têm maior capacidade de levar ao desenvolvimento do câncer.”

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