Ingerir bebidas alcoólicas no calor extremo pode não ser uma boa ideia

O que muitos consideram um alívio para as altas temperaturas pode, na verdade, provocar uma desidratação ainda mais intensa

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Ingerir bebidas alcoólicas no calor extremo pode não ser uma boa ideia | Pixabay

Consumir bebidas alcoólicas em busca de bem-estar durante as ondas de calor pode não ser uma boa ideia. O que muitos consideram um alívio para as altas temperaturas pode, na verdade, provocar uma desidratação ainda mais intensa.

Especialistas afirmam que a ingestão de álcool pode também agravar a situação de quem tem problemas cardiovasculares, neurológicos ou psiquiátricos. A recomendação durante as altas temperaturas é pegar leve no consumo alcoólico, não beber ou moderar bem, reforçando todas as rodadas com boas doses de água para compensar as perdas.

O farmacêutico bioquímico Rafael Appel Flores, diretor científico da empresa Dr. Fisiologia e pós-doutor em neuroendocrinologia pela Universidade de São Paulo (USP), destaca que no calor é fundamental pensar no metabolismo das substâncias antes de ingeri-las. O álcool consumido em dias quentes inibe a produção de um hormônio antidiurético chamado vasopressina (ou ADH), o que amplifica a desidratação e coloca em risco o organismo já prejudicado pela temperatura.

"Esse é um hormônio produzido em uma região do cérebro chamada hipotálamo e que é secretado pela glândula hipófise. O álcool inibe a ação desse hormônio e uma das ações do ADH é justamente nos rins, aumentando a reabsorção de água na hora que vai ocorrer a filtração do sangue e a formação da urina", diz Flores.

Na prática, isso implica que iremos urinar com maior frequência do que o necessário devido ao consumo de álcool. O rim aumenta a eliminação de água na urina, resultando no efeito diurético do álcool. Portanto, é comum as pessoas visitarem mais frequentemente o banheiro, especialmente ao consumir cerveja, como observado pelo pesquisador. Além disso, a perda de líquidos, que poderia ser facilmente reposta em condições de temperatura amena, se torna um desafio devido à necessidade de manter o equilíbrio térmico.

"No calor o corpo naturalmente perde água através do suor para manter a temperatura corporal. Então, a gente já desidrata quando está em períodos muito quentes", diz Flores.

Pessoas que têm problemas cardiovasculares também precisam ficar atentas, por uma tendência de mais variações na pressão sanguínea devido às altas temperaturas. "Se a pessoa ingere bebida alcoólica, isso pode potencializar essa carga no sistema cardiovascular e prejudicar ainda mais o controle da pressão", avalia.

O especialista diz que o álcool, em geral, não é benéfico para a saúde humana, mas que isso não implica em deixar de consumir totalmente a substância. "O recomendável é sempre consumir moderadamente e que, entre um copo ou outro de cerveja, por exemplo, você tome água para que, consequentemente, não tenha um efeito tão prejudicial no seu corpo."

A desidratação é uma preocupação significativa no contexto do aquecimento global, conforme a Organização Mundial de Saúde (OMS), uma vez que aproximadamente 70% do corpo humano é composto por água. Essencial para as reações metabólicas, a água em nosso organismo contém eletrólitos e sais minerais cruciais para o funcionamento adequado do corpo, desempenhando um papel vital na transmissão de informações essenciais para a sobrevivência.

Um corpo desregulado devido à falta de água pode manifestar diversos sintomas, incluindo hipertermia (aumento excessivo da temperatura corporal), exaustão, confusão mental, náuseas, vômitos, cãibras, alterações cardiovasculares e até mesmo falência de rins e órgãos, aumentando significativamente as chances de mortalidade do paciente.

O médico reforça que idosos são um grupo particularmente sensível à falta de água no organismo e que o consumo de álcool piora, uma condição já agravada pelo calor intenso. "A desidratação tem consequências muito sérias. Um idoso pode ter alteração de estado mental, pode ter confusão, sonolência excessiva, ou ao contrário, pode passar por um período de agitação. Pacientes que já têm alguma doença, seja ela neurológica ou psiquiátrica, podem ter descompensação desses problemas", afirma Chehter.

(Com informações da FolhaPress - Danielle Castro)



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