- A OMS alertou para possibilidade de novos casos de hantavírus após surto no cruzeiro MV Hondius.
- O navio segue em direção à ilha espanhola de Tenerife, com previsão de retirar cerca de 150 passageiros e tripulantes a partir da próxima semana.
- A cepa Andes do hantavírus é transmissível entre pessoas em contato muito próximo, mas não há vacina ou tratamento específico disponível.
- As autoridades sanitárias ainda não identificaram a origem do contágio e monitoram cerca de 30 passageiros que desembarcaram na ilha britânica de Santa Helena.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou, na quinta-feira (07), para a possibilidade de novos casos de hantavírus surgirem após o surto registrado a bordo do cruzeiro MV Hondius, que já contabiliza três mortes e oito infecções associadas à embarcação. Apesar disso, a entidade afirma que a disseminação da doença deve permanecer “limitada”, desde que sejam mantidas as medidas sanitárias de controle.
No centro de um alerta sanitário internacional desde o último fim de semana, o navio segue em direção à ilha espanhola de Tenerife, no arquipélago das Canárias. A partir da próxima semana, está prevista a retirada de cerca de 150 passageiros e tripulantes.
O hantavírus é uma infecção geralmente associada ao contato com roedores e, até o momento, não possui vacina nem tratamento específico. Exames realizados nos passageiros identificaram a cepa Andes, única variante conhecida com registros de transmissão entre pessoas em situações de contato muito próximo.
“Até hoje, foram registrados oito casos, incluindo três mortes. Cinco desses oito casos foram confirmados como causados pelo hantavírus, e os outros três são suspeitos”, informou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, durante coletiva em Genebra.
Segundo Tedros, como o período de incubação da cepa Andes pode chegar a seis semanas, “é possível que mais casos sejam relatados”.
As vítimas fatais ligadas ao surto são um casal holandês e uma passageira alemã. O cruzeiro havia partido em 1º de abril de Ushuaia, na Argentina, com destino a Cabo Verde.
Atualmente, há passageiros hospitalizados ou sob monitoramento médico nos Países Baixos, Suíça, Alemanha e África do Sul.
“Não é o começo de uma pandemia”
A OMS também buscou afastar comparações com a pandemia de covid-19 e reforçou que o risco de disseminação global permanece baixo.
“Não é o começo de uma pandemia”, afirmou Maria Van Kerkhove, responsável pela prevenção e preparação para epidemias e pandemias da OMS, durante a primeira coletiva da agência desde o início da crise.
O diretor de operações de emergência da entidade, Abdi Rahman Mahamud, destacou que o episódio tende a permanecer controlado caso haja cooperação internacional.
“O surto será limitado se forem implementadas medidas de saúde pública e houver solidariedade entre todos os países”, afirmou.
Já o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que a situação está “amplamente sob controle” e informou que um relatório completo sobre o caso deverá ser divulgado nesta sexta-feira.
Origem do contágio segue indefinida
As autoridades sanitárias ainda não conseguiram identificar onde ocorreu o primeiro contágio.
De acordo com a OMS, o primeiro passageiro morto, um holandês de 70 anos, apresentou sintomas em 6 de abril, poucos dias após o embarque. Ele e a esposa haviam viajado anteriormente por Chile, Uruguai e Argentina.
O Ministério da Saúde do Chile afirmou que é improvável que o casal tenha contraído a doença no país, já que a passagem pelo território chileno ocorreu fora do período compatível com a incubação do vírus.
Já as autoridades argentinas disseram que, com as informações disponíveis até o momento, “não é possível confirmar a origem do contágio”.
O hantavírus é endêmico em algumas regiões da Argentina, especialmente ao longo da Cordilheira dos Andes, onde são registrados cerca de 60 casos anuais.
Vida a bordo segue “praticamente normal”
Mesmo diante do surto, passageiros e tripulantes de cerca de 20 nacionalidades continuam a bordo do MV Hondius.
A empresa responsável pela embarcação, Oceanwide Expeditions, informou que não há novos passageiros apresentando sintomas após a evacuação de três pessoas na quarta-feira.
Segundo dois passageiros franceses, em comunicado enviado à imprensa, a rotina no navio segue “praticamente normal”.
Enquanto isso, autoridades sanitárias monitoram cerca de 30 passageiros que desembarcaram na ilha britânica de Santa Helena entre os dias 22 e 24 de abril, em busca de possíveis infectados ou contatos próximos.
Na pequena ilha do Atlântico Sul, com aproximadamente 4,4 mil habitantes, cresce a preocupação da população. Ainda assim, autoridades locais afirmaram que mais de 95% dos moradores não tiveram contato próximo com passageiros do cruzeiro.
Entre os desembarcados em Santa Helena estavam o primeiro passageiro holandês morto, no dia 11 de abril, e sua esposa, que morreu em Johannesburgo em 26 de abril.
Em Singapura, dois idosos que estiveram na ilha foram colocados em isolamento enquanto aguardam os resultados de exames. Um francês que viajou de avião com um caso confirmado e apresentou “sintomas leves” também permanece isolado.
Segundo Tedros, o capitão do navio relatou que “o moral melhorou consideravelmente” após a retomada da rota em direção à Espanha.
Nas Ilhas Canárias, porém, a chegada da embarcação ainda gera apreensão. O governo regional afirmou que o MV Hondius não atracará diretamente em Tenerife e permanecerá fundeado próximo à costa.
De acordo com as autoridades locais, os passageiros serão transportados até o aeroporto de Tenerife Sul por meio de embarcações de apoio.