- Força-tarefa internacional resgata passageiros do cruzeiro MV Hondius.
- O navio deve atracar em Tenerife no domingo (10) e os passageiros serão evacuados até segunda-feira (11).
- A operação de desembarque será feita com uso obrigatório de máscaras para evitar transmissão do hantavírus.
- Os passageiros podem levar apenas pertences essenciais e as demais bagagens permanecerão no navio.
Diversos países iniciaram uma força-tarefa internacional para resgatar passageiros do cruzeiro MV Hondius, atingido por um surto de hantavírus durante uma viagem entre a Argentina e Cabo Verde. O navio deve atracar na ilha espanhola de Tenerife na madrugada deste domingo (10), onde será iniciada a operação de desembarque e evacuação dos ocupantes.
Segundo a ministra da Saúde da Espanha, Mónica García, os passageiros poderão deixar a embarcação levando apenas pertences essenciais. As demais bagagens, assim como os corpos das vítimas que morreram a bordo, permanecerão no navio e seguirão para a Holanda, onde passarão por um processo de desinfecção.
As autoridades sanitárias determinaram ainda o uso obrigatório de máscaras durante toda a operação de retirada dos passageiros. Apesar da preocupação internacional, o governo espanhol afirmou que o risco de transmissão para a população em geral permanece baixo.
A evacuação deve ocorrer entre a manhã de domingo e a tarde de segunda-feira (11). Todos os passageiros e 17 tripulantes deixarão o navio em Tenerife. Outros 30 membros da tripulação permanecerão a bordo para conduzir a embarcação até a Holanda.
Operação internacional
Alemanha, França, Bélgica, Irlanda e Holanda confirmaram neste sábado (9) o envio de aeronaves para repatriar seus cidadãos. Os Estados Unidos também devem mobilizar aviões para retirar os americanos presentes no cruzeiro. Já a União Europeia anunciou o envio de mais duas aeronaves para atender passageiros europeus que ainda aguardam transporte.
Os governos dos Estados Unidos e do Reino Unido também informaram que trabalham em planos de contingência para auxiliar países de fora da União Europeia que não possuem meios próprios para realizar a evacuação.
De acordo com o ministro do Interior da Espanha, Fernando Grande-Marlaska, o navio deve chegar ao Porto de Granadilla, em Tenerife, entre 3h e 5h no horário local. A prioridade inicial de desembarque será para cidadãos espanhóis, enquanto os demais passageiros deverão deixar o cruzeiro conforme a disponibilidade das aeronaves enviadas por seus respectivos países.
Casos e mortes confirmadas
Segundo a Organização Mundial da Saúde, ao menos três pessoas morreram após infecção por hantavírus a bordo do MV Hondius. Outros cinco passageiros tiveram diagnóstico confirmado da doença.
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, chegou à Espanha neste sábado para acompanhar pessoalmente a operação de desembarque. Em publicação nas redes sociais, Tedros afirmou estar em contato direto com o capitão do navio e com representantes da OMS presentes na embarcação. Segundo ele, não há novos passageiros apresentando sintomas neste momento.
A suspeita das autoridades é que o contágio tenha começado antes mesmo do embarque, possivelmente durante um voo realizado em Joanesburgo.
Retrospecto dos casos
O primeiro caso registrado foi o de um homem que apresentou sintomas em 6 de abril e morreu cinco dias depois, ainda a bordo. Inicialmente, a infecção por hantavírus foi descartada devido à semelhança dos sintomas com outras doenças respiratórias.
A esposa dele também apresentou sintomas após desembarcar na ilha de Santa Helena. Ela morreu durante um voo para Joanesburgo, em 26 de abril, e exames confirmaram posteriormente a infecção pelo vírus.
A terceira vítima foi uma passageira alemã, que desenvolveu sintomas no fim de abril e morreu no dia 2 de maio.
Outro passageiro britânico foi evacuado para a África do Sul e permanece internado em estado grave em uma unidade de terapia intensiva. Outros dois pacientes seguem hospitalizados em condição estável, enquanto um caso assintomático foi registrado na Alemanha.