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Suplementos capilares aceleram o crescimento dos cabelos? Entenda o que diz a ciência

Vitaminas não aumentam a velocidade de crescimento dos fios e o excesso pode provocar queda

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  • Suplementos vitamínicos não aceleram o crescimento capilar, segundo estudos do NIH.
  • Vitaminas ajudam na estrutura dos fios, mas não aumentam a velocidade de crescimento.
  • Excesso de vitaminas pode causar queda de cabelo e alterações na pele.
  • Química e calor danificam a estrutura dos fios, mas não afetam o crescimento natural.
  • Recomenda-se avaliação médica antes de usar suplementos para problemas capilares.
Suplementos capilares aceleram o crescimento dos cabelos? Entenda o que diz a ciência | Foto: Getty Images
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A promessa de fazer os cabelos crescerem mais rápido por meio de gomas mastigáveis e complexos vitamínicos populares na internet não tem comprovação científica consistente. Isso porque a velocidade de crescimento dos fios segue um ciclo biológico natural, que não pode ser acelerado simplesmente pelo consumo de suplementos.

Estudos divulgados pelo Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos (NIH) apontam que não há evidências clínicas suficientes de que a suplementação diária melhore o crescimento ou a densidade capilar em pessoas sem deficiência nutricional diagnosticada.

Embora vitaminas e minerais sejam importantes para a saúde dos cabelos, seus benefícios estão relacionados principalmente à manutenção da estrutura dos fios e à correção de deficiências nutricionais.

Nutrientes ajudam na saúde, mas não aceleram o crescimento

A busca por cabelos longos em menos tempo movimenta um mercado de produtos que promete resultados rápidos. No entanto, a biologia capilar segue um ritmo próprio, e os nutrientes desempenham uma função estrutural, não de aceleração do crescimento.

"As vitaminas podem contribuir para melhorar a estrutura, o viço e a qualidade dos fios, mas não fazem com que eles cresçam mais rapidamente", explica a farmacodermatologista Paula Sian.

Mesmo o minoxidil, substância amplamente utilizada na dermatologia, não aumenta diretamente a velocidade natural de crescimento. Sua atuação está relacionada à manutenção e ao prolongamento da fase de crescimento ativo do cabelo.

Do ponto de vista nutricional, os fios precisam de proteínas e micronutrientes para a formação da queratina. Entretanto, quando há deficiência nutricional, o organismo prioriza funções essenciais à sobrevivência, o que pode comprometer a saúde capilar.

"O cabelo não é uma prioridade metabólica para o organismo. Quando existe uma deficiência nutricional importante, o corpo tende a preservar funções essenciais à sobrevivência e o crescimento capilar pode ser prejudicado", pontua a nutricionista integrativa Camilla Simões.

Excesso de vitaminas também pode provocar queda

A queda acentuada e o enfraquecimento dos fios podem estar associados a diferentes fatores, entre eles anemia e dietas extremamente restritivas. Em mulheres em idade fértil, a deficiência de ferro é um dos fatores que podem contribuir para a perda capilar, já que o mineral é essencial para o funcionamento do organismo.

Por outro lado, o consumo indiscriminado de suplementos, sem avaliação profissional, pode provocar efeitos contrários aos esperados. A hipervitaminose A, causada pelo excesso de vitamina A no organismo, está associada à queda de cabelo e a alterações na pele.

A ingestão excessiva de selênio e zinco também pode causar desequilíbrios e favorecer a perda dos fios. Esses minerais estão presentes em alimentos como frutos do mar, carnes, ovos, leite e derivados.

Outro ingrediente bastante popular nas fórmulas capilares é a biotina, também conhecida como vitamina B7. Apesar de ser necessária para o organismo, sua suplementação tende a beneficiar principalmente pessoas com deficiência desse nutriente, condição considerada rara em indivíduos saudáveis que mantêm uma alimentação variada.

"A deficiência verdadeira de biotina é relativamente rara em pessoas saudáveis que mantêm uma alimentação variada. E as evidências científicas não demonstram benefícios consistentes para indivíduos sem essa deficiência", ressalta Camilla.

Além disso, doses elevadas de biotina podem interferir nos resultados de exames laboratoriais, incluindo testes de função da tireoide e marcadores cardíacos.

Química e calor também comprometem a estrutura dos fios

Outro aspecto importante é diferenciar a queda capilar da quebra dos fios. Enquanto a primeira pode estar relacionada a alterações no folículo capilar, a segunda ocorre quando a fibra do cabelo sofre danos ao longo de sua extensão.

Procedimentos químicos, como alisamentos e descolorações, além do uso frequente de secadores e chapinhas, podem comprometer a estrutura dos fios que já cresceram.

"É importante entender que a parte visível do cabelo é formada por células mortas. A partir do momento em que o fio emerge do couro cabeludo, ele não possui mais a capacidade de regeneração biológica. Tomar suplementos não resolve o problema de um cabelo que já está quebradiço devido a agressões externas", destaca Paula.

Diante de uma queda persistente ou do enfraquecimento dos cabelos, a recomendação é investigar a origem do problema antes de recorrer a suplementos. A avaliação pode envolver histórico clínico, exames laboratoriais e análise dermatológica.

Com orientação profissional, alimentação equilibrada e tratamentos específicos para cada condição, é possível cuidar da saúde capilar sem recorrer a produtos desnecessários ou colocar a saúde em risco.

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