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SUS vai oferecer antibiótico pós relação sexual para prevenir ISTs

Estratégia chamada DoxiPEP busca reduzir casos de sífilis e clamídia no país

A orientação é tomar uma dose de 200 mg do medicamento até 72 horas após a exposição considerada de risco. | Foto: Freepik
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O Ministério da Saúde autorizou o uso da doxiciclina como profilaxia pós-exposição para prevenir infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) como sífilis e clamídia. A estratégia, conhecida como DoxiPEP, foi publicada no Diário Oficial da União na quarta-feira (11) e deverá ser incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS). Estados e municípios terão prazo de até 180 dias para organizar a oferta do medicamento na rede pública.

A medida prevê o uso do antibiótico após situações consideradas de risco, como relações sexuais sem preservativo, com o objetivo de reduzir a probabilidade de infecção por algumas ISTs bacterianas.

A medida prevê o uso do antibiótico após situações consideradas de risco - Foto: Nomad_Soul /iStock

Quem poderá utilizar

Segundo parecer da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), o uso da doxiciclina como profilaxia pós-exposição foi considerado adequado para grupos com maior vulnerabilidade às infecções sexualmente transmissíveis.

Entre os públicos indicados estão:

  • Homens que fazem sexo com homens (HSH);
  • Homens cisgênero gays, bissexuais e pansexuais;
  • Mulheres transgênero adultas.

De acordo com a análise técnica, a estratégia poderá ser utilizada tanto por pessoas vivendo com HIV/Aids quanto por pessoas que não possuem diagnóstico da infecção.

Como funciona a DoxiPEP

A estratégia consiste na ingestão de 200 mg de doxiciclina até 72 horas após uma relação sexual considerada de risco. O objetivo é impedir que bactérias responsáveis por algumas ISTs se estabeleçam no organismo.

Estudos clínicos indicam que o método pode reduzir significativamente o risco de infecção.

Pesquisas apontam que a estratégia pode diminuir entre 77% e 88% o risco de sífilis e cerca de 65% o risco de clamídia. Já no caso da gonorreia, a proteção tende a ser menor, chegando a aproximadamente 54% em alguns estudos internacionais.

Estratégia não substitui preservativo

Especialistas ressaltam que a nova medida não elimina a necessidade de outras formas de prevenção.

O infectologista Hilton Luís afirma que o uso do antibiótico deve fazer parte de uma estratégia de prevenção combinada, que inclui diferentes métodos de proteção.

“Isso não quer dizer que ‘liberou geral’ para transar sem camisinha. O remédio não protege contra todas as ISTs, não previne gravidez e não substitui preservativos, PrEP para o HIV, vacinas ou testagem regular”, explicou.

Segundo o especialista, estudos mostram que a maioria das pessoas que utilizou a estratégia não alterou de forma significativa o comportamento sexual, mas relatou maior sensação de segurança.

A medida prevê o uso do antibiótico após situações consideradas de risco - Foto: iStock/Getty Images 

Risco de resistência bacteriana

Outro ponto de atenção levantado por especialistas é o risco de resistência bacteriana, já que o uso frequente de antibióticos pode favorecer o surgimento de microrganismos menos sensíveis ao tratamento.

“Usar antibiótico repetidamente pode fazer com que algumas bactérias aprendam a driblar esse remédio, o que é uma preocupação real em saúde pública”, afirmou Hilton Luís.

Por esse motivo, diretrizes internacionais recomendam que o uso da DoxiPEP seja direcionado a grupos específicos e acompanhado por profissionais de saúde.

Doenças comuns

A sífilis e a clamídia estão entre as infecções sexualmente transmissíveis mais frequentes. Ambas são transmitidas principalmente por relações sexuais sem preservativo, incluindo sexo vaginal, anal e oral.

A sífilis é causada pela bactéria Treponema pallidum e pode começar com uma ferida indolor na região genital, anal ou na boca. Sem tratamento, a doença pode evoluir e afetar órgãos como o coração e o sistema nervoso.

Já a clamídia é provocada pela bactéria Chlamydia trachomatis e frequentemente não apresenta sintomas. Quando surgem, podem incluir corrimento genital, dor ao urinar e dor pélvica, podendo evoluir para complicações como infertilidade e doença inflamatória pélvica.

A expectativa do Ministério da Saúde é que a incorporação da estratégia ao SUS ajude a reduzir a transmissão dessas infecções e ampliar o acesso à prevenção no país.

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