Estudos voltados ao desenvolvimento de vacinas contra o câncer já atingiram um estágio em que há candidatos prontos para avaliação em humanos — e o Brasil pode passar a integrar esse processo nos próximos anos. Essa é a análise de pesquisadores da Universidade de Oxford que estiveram no país recentemente para tratar de possíveis cooperações com instituições nacionais.
As declarações ocorreram durante um workshop realizado pelo A.C. Camargo Cancer Center, que reuniu cientistas, representantes de hospitais e integrantes do Ministério da Saúde com o objetivo de fomentar parcerias em áreas como imunoterapia, uso de inteligência artificial e condução de ensaios clínicos.
Entre as iniciativas mais avançadas está uma vacina direcionada a tumores ligados ao vírus Epstein-Barr (EBV), que infecta mais de 90% da população global e está associado a cerca de 200 mil diagnósticos de câncer por ano.
De acordo com a pesquisadora Carol Leung, especialista em vacinas terapêuticas contra o câncer em Oxford, o imunizante já superou a fase pré-clínica — quando são realizados testes em laboratório e em animais — e deve seguir para estudos com seres humanos.
A estratégia, agora, é expandir esses testes em parceria com países onde determinados tipos de câncer são mais recorrentes, como o linfoma de Burkitt, mais comum em regiões da África e também identificado no Norte do Brasil.
Desenvolvimento acelerado
Um dos aspectos ressaltados pelos cientistas é o ritmo acelerado dessas pesquisas. Leung destacou que, em Oxford, projetos recentes evoluíram do estágio inicial até a preparação para testes clínicos em aproximadamente três anos — um período considerado curto dentro da oncologia.
Esse avanço é impulsionado pela utilização de tecnologias já consolidadas, como as plataformas aplicadas nas vacinas contra a Covid-19, aliadas a novas abordagens que buscam ativar o sistema imunológico para reconhecer e combater células tumorais.