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Olfato apurado: cavalos conseguem sentir cheiro do medo em humanos, aponta estudo

Olfato é provavelmente sentido mais utilizado pelos animais para se comunicarem uns com outros, especialmente em situações de perigo

Cavalo | Foto: Imagem de Pixabay
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Um estudo recente conduzido por pesquisadores franceses revelou que os cavalos conseguem sentir o cheiro do medo em humanos e tendem a ficar mais vigilantes diante desse sinal químico. A pesquisa foi publicada na revista científica PLOS Biology.

“A primeira vez que entrei em um estábulo, me disseram: ‘Cuidado, não tenha medo, os cavalos conseguem sentir o seu medo’”, relembra a etóloga Léa Lansade, diretora de pesquisa do Instituto Nacional Francês de Pesquisa Agrícola, Alimentar e Ambiental (INRAE) e autora principal do estudo.

Segundo a cientista, o que antes parecia apenas uma figura de linguagem pode ter uma base literal e científica. “Parece ser literal”, afirmou.

O papel do olfato na comunicação animal

O olfato é considerado um dos sentidos mais importantes na comunicação entre animais, especialmente em situações de perigo. Em humanos, estudos apontam que o suor das glândulas axilares carrega compostos químicos associados a emoções, como adrenalina, androstadienona e ácido hexadecanoico.

Pesquisas anteriores já haviam demonstrado que cães conseguem detectar esses sinais emocionais humanos. Em relação aos cavalos, já se sabia que eles são capazes de interpretar expressões faciais e reconhecer emoções pela voz, como tristeza, alegria ou raiva.

Como o estudo foi realizado

Para investigar especificamente o medo, a equipe coletou odores associados ao medo e à alegria de 30 voluntários, que assistiram a filmes de terror e comédia. Durante a exibição, os participantes usaram absorventes internos sob as axilas para capturar os odores. Em parceria com o Instituto Francês de Cavalos e Equitação, os pesquisadores realizaram testes com 43 éguas galesas.

Testes mediram reações com e sem humanos

As éguas receberam focinheiras contendo amostras de “medo”, “alegria” ou nenhuma amostra, que serviu como controle. Em seguida, foram realizados quatro testes:

  • Dois de interação com humanos, observando aproximação e comportamento durante a escovação;

  • Dois sem presença humana, incluindo a abertura repentina de um guarda-chuva e a introdução de um objeto desconhecido no ambiente.

Odor do medo provoca estado de alerta

Em todos os testes, os cavalos expostos ao odor do medo humano demonstraram reações mais intensas de apreensão. Eles evitaram mais o contato humano, se assustaram com maior facilidade e permaneceram mais atentos a estímulos novos. Segundo Lansade, o cheiro do medo humano coloca os cavalos em estado de alerta e vigilância, mesmo quando nenhuma pessoa está presente.

A pesquisadora descreve o fenômeno como um “contágio emocional”, embora ainda não seja possível afirmar se esse comportamento é aprendido ao longo da convivência com humanos ou se é inato.

Possíveis explicações evolutivas

Os cavalos são animais cuja domesticação ocorreu lentamente, e todos os cavalos domésticos modernos descendem de uma única manada originária de uma região ao norte do Cáucaso. Segundo a etóloga, é possível que esse grupo já tivesse a capacidade de reconhecer emoções humanas.

Outra hipótese sugere que a comunicação química tenha surgido muito cedo na evolução. Como humanos e equinos são mamíferos com um ancestral comum distante, as moléculas associadas ao cheiro do medo podem ser semelhantes entre as espécies.

Para Léa Lansade, compreender melhor esses mecanismos é fundamental para melhorar o bem-estar animal, aumentar a segurança no manejo e tornar o treinamento dos cavalos mais eficaz, respeitando a sensibilidade emocional desses animais.

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