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Vira-lata caramelo: Teste de DNA revela a origem genética do cão mais amado do país

Três vira-latas caramelos de diferentes regiões do país tiveram o DNA analisado em um laboratório de genética animal da USP.

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  • Pesquisadores da USP analisaram o DNA de três vira-latas caramelo para investigar sua origem genética.
  • Valente, de Rio de Janeiro, apresentou traços de diversas raças, incluindo boxer e pastor-alemão.
  • Frevo, de Recife, teve influência de raças como fila brasileiro e doberman, com diversidade genética semelhante.
  • Jenny, de São Paulo, mostrou influência significativa de Yorkshire terrier, indicando possível descendência de raça pura.
  • A coloração caramelo surge por diferentes mecanismos genéticos, sendo comum em cães sem raça definida.
Cachorro caramelo | Foto: Reprodução
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Presente em memes, campanhas publicitárias e na cultura popular, o vira-lata caramelo ganhou destaque por sua aparência característica. Para investigar a origem genética desses cães, pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) analisaram o DNA de três animais de diferentes regiões do país.

Os cães escolhidos foram Jenny, de São Paulo; Valente, do Rio de Janeiro; e Frevo, de Recife. Amostras de DNA foram coletadas com um cotonete na gengiva dos animais e comparadas com milhares de marcadores genéticos capazes de identificar ancestralidade e características raciais.

Análises mostram grande diversidade genética

Antes dos resultados, tutores e especialistas fizeram suposições com base na aparência dos cães. Valente foi apontado como possível descendente de pastor-alemão. Frevo recebeu o apelido de "labradoido", por lembrar um labrador. Já Jenny também era associada a cães pastores.

Os exames, porém, mostraram uma composição genética bastante diversa.

Em Valente, foram identificados traços de boxer, pastor americano miniatura, pastor branco suíço, galgo espanhol, presa canário, bulldog campeiro e chihuahua. Segundo os pesquisadores, 75% da composição genética corresponde a dezenas de outras raças sem influência predominante.

Cada cão apresentou uma combinação diferente

O exame de Frevo apontou influência de raças como fila brasileiro, pastor da Mantiqueira, doberman, parson russell terrier, pumi, spino degli Iblei e beauceron. Cerca de 74% da composição genética estava distribuída entre outras 62 raças.

Já Jenny apresentou uma característica diferente. Embora também tenha uma composição genética variada, os pesquisadores identificaram uma influência significativa de Yorkshire terrier. Segundo a geneticista responsável pelo estudo, o resultado indica que um dos avós da cadela provavelmente era um exemplar de raça pura.

Cor caramelo não define uma raça

Segundo a geneticista Fabiana, a coloração caramelo pode surgir por diferentes mecanismos genéticos, o que explica sua ampla ocorrência entre cães sem raça definida. De acordo com a especialista, cerca de 40% dos vira-latas apresentam essa pelagem, percentual superior ao observado em outras colorações.

Os exames também mostraram que não existe um único padrão genético para o vira-lata caramelo. Apesar da aparência semelhante, os três cães analisados possuem origens e combinações genéticas distintas.

Diversidade reflete a população brasileira

Para a médica-veterinária Rita Ericson, a diversidade observada nos cães se assemelha à própria formação da população brasileira. Segundo a especialista, não existe um único tipo de vira-lata caramelo. Os animais podem variar em porte, tonalidade da pelagem e comportamento.

Além da genética, fatores como ambiente, experiências de vida e convivência também influenciam a personalidade de cada animal, fazendo com que cães com aparência semelhante apresentem comportamentos diferentes.

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