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Caso Isabelle Caracristi: Últimas mensagens relatam ameaças e controle do namorado

Estudante relatou ameaças do namorado antes de morrer em prédio de Fortaleza

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  • Família de Isabelle Caracristi divulga mensagens da jovem que relatam ameaças e controle do namorado, João Munhoz Neto.
  • Isabelle caiu do 15º andar do prédio onde morava com João, que está preso e é investigado pela morte.
  • Perícia conclui que não há indícios de violência física, mas investiga circunstâncias que antecederam a morte.
  • João nega ameaças e afirma ter emprestado dinheiro à estudante, enquanto família pede justiça e esclarecimentos.
  • Defesa de João nega acusações de controle e abuso psicológico, pedindo que ele responda às investigações em liberdade.
Imagens de câmeras de segurança mostram Isabelle chegando ao prédio com João | Foto: Reprodução
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A família da estudante de Direito Isabelle Caracristi, de 22 anos, divulgou mensagens enviadas por ela pouco antes de morrer após cair do prédio onde morava com o namorado, João Munhoz Neto, em Fortaleza. Nos áudios, a jovem relatava ameaças e comportamento controlador. João está preso e é investigado no caso.

“Estão acontecendo coisas sérias, coisas graves, que eu venho guardando só para mim. São ameaças diretas vindas dele [...] que eu simplesmente não estou suportando mais”, disse Isabelle em mensagem enviada ao primo minutos antes da morte. Em outros relatos, afirmou que não conseguia fazer atividades sozinha e que o namorado questionava suas saídas e publicações nas redes sociais.

Imagens de câmeras mostram Isabelle chegando ao prédio com João e subindo para o apartamento, no 15º andar. O namorado deixou o local para ir à missa e a estudante permaneceu no imóvel. Às 19h12, ela foi registrada pela última vez no elevador. A queda ocorreu por volta das 20h40.

A perícia concluiu que não há indícios de que Isabelle tenha sido empurrada ou sofrido uma queda acidental. Segundo os peritos, também não foram identificadas lesões compatíveis com uma possível luta corporal. A Polícia Civil, no entanto, continua investigando as circunstâncias que antecederam a morte e analisa centenas de vídeos e dados de celulares.

Investigação apura violência psicológica

Conversas encontradas no celular de Isabelle também mostram cobranças financeiras feitas por João. Segundo depoimento dele à polícia, foram emprestados pouco mais de R$ 14 mil à estudante, além de outros R$ 7 mil repassados pela mãe dele. João negou ameaças e afirmou que houve apenas cobrança pelo pagamento da dívida.

Antes de morrer, Isabelle Caracristi relatou controle do namorado João Munhoz Neto 

A Polícia também apura o comportamento do investigado após a morte. Segundo a investigação, ele retornou ao prédio no dia seguinte para procurar o celular da jovem, solicitou a limpeza do apartamento, retirou objetos e colocou o imóvel à venda. A síndica afirmou ainda que João teria impedido a entrada de familiares de Isabelle no edifício.

O delegado responsável pelo caso afirmou que existem indícios de violência psicológica, principalmente relacionados a controle e limitações impostas à estudante. Até o momento, 25 pessoas foram ouvidas. A polícia também analisa mais de 400 mil mensagens encontradas no celular do investigado.

A defesa de João nega as acusações de controle e abuso psicológico e afirma que Isabelle tinha liberdade para entrar e sair do apartamento. Também foi apresentado um pedido de habeas corpus para que ele responda às investigações em liberdade.

“Eu não aguento mais”

Pouco antes de morrer, Isabelle enviou mensagens para familiares e amigas relatando esgotamento. “Eu simplesmente não aguento mais. Eu estou cansada. Hoje foi a gota d’água”, afirmou em um dos áudios.

A jovem também deixou mensagens de despedida para a mãe e o irmão. A mãe, Isorlanda Caracristi, cobra esclarecimentos sobre o relacionamento e as circunstâncias que antecederam a morte da filha.

“Eu quero que isso que aconteceu com minha filha, essa relação abusiva, controladora, não se repita. Quero respostas e quero justiça para minha filha”, afirmou.

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