- Homem de 53 anos denuncia agressões por seguranças de barraca em Fortaleza.
- Vítima nega roubo e afirma ter perdido a consciência durante as agressões.
- Homem sofreu ferimentos graves e foi encaminhado a hospital após atendimento.
- Empresa do estabelecimento repudia violência e diz estar colaborando com a polícia.
- Família suspeita que abordagem possa ter sido motivada por raça e isolamento do homem.
Um homem de 53 anos, identificado como Adilson Alves Viana, denunciou ter sido espancado por quatro seguranças de uma barraca na Praia do Futuro, em Fortaleza (CE). O caso aconteceu na manhã de terça-feira (13), após ele ser acusado de roubar uma bolsa. A vítima nega a acusação e afirma que perdeu a consciência durante as agressões.
De acordo com o boletim de ocorrência registrado no 2º Distrito Policial, Adilson havia saído do mar e caminhava em direção à motocicleta, onde havia deixado seus pertences, quando foi abordado por funcionários do Complexo Crocobeach.
Segundo o relato, os seguranças o acusaram de ter furtado uma bolsa. Mesmo negando a suspeita, o homem afirma que foi imobilizado com um golpe conhecido como mata-leão e agredido com um objeto semelhante a uma mangueira que teria uma peça de ferro em seu interior. Durante as agressões, Adilson desmaiou. Ao recuperar a consciência, ele diz que estava caído próximo ao mar, com a roupa ensanguentada e diversos ferimentos pelo corpo.
Vítima teve dente quebrado e precisou de atendimento médico
Após conseguir se levantar, Adilson foi até o banheiro do estabelecimento para tentar entender o que havia acontecido. Conforme o relato, ele acabou sendo retirado do local por um dos seguranças.
O homem sofreu hematomas pelo corpo, teve um dente quebrado e apresentou um corte no rosto que precisou de cinco pontos. Familiares o socorreram e o levaram inicialmente a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Em razão da gravidade dos ferimentos, ele foi encaminhado ao Instituto Doutor José Frota (IJF), onde passou por exames.
A esposa da vítima afirmou que a família mora em Fortaleza há cerca de dois anos e trabalha com a venda de comidas e água. Segundo ela, Adilson já frequentava o estabelecimento antes de se mudar para a capital cearense.
A mulher também levantou a suspeita de que a abordagem possa ter sido motivada pelo fato de o marido ser negro e estar sozinho. A hipótese, no entanto, ainda depende de apuração das autoridades.
Empresa se manifesta sobre o caso
Em nota, o Complexo Crocobeach lamentou o ocorrido e manifestou solidariedade à vítima e aos familiares. A empresa também afirmou repudiar atos de violência e declarou que está colaborando com as autoridades para o esclarecimento dos fatos.
O caso foi registrado na Polícia Civil, que deverá apurar as circunstâncias da denúncia e a responsabilidade dos envolvidos.