- Estudante de Direito descobriu que namorado era casado e relatou abuso em áudio antes de morrer.
- João Munhoz casou-se em 2025 e dividiu-se em agosto de 2026 por impossibilidade de convivência.
- Corpo da estudante foi encontrado no condomínio La Piazza, onde morava com João e sua família.
- Isabelle caiu do 23º andar após ser registrada sozinha no elevador e deixar o celular na mão.
- João foi preso pela Polícia Civil após imagens e depoimentos indicarem envolvimento na morte da jovem.
A estudante de Direito Isabelle Caracristi, de 22 anos, descobriu durante o relacionamento que o companheiro, João Munhoz Neto, de 34, ainda era casado oficialmente com outra mulher. Segundo relato feito por um parente da jovem à Polícia Civil do Ceará (PCCE), Isabelle soube da informação semanas depois de começar a se relacionar com João.
Os dois se conheceram na faculdade, mas se aproximaram em julho, quando Isabelle passou a estagiar no escritório de advocacia onde João trabalhava e ficou diretamente subordinada a ele. Os dois deixaram o escritório cerca de um mês antes da morte da estudante. Segundo o relato, João teria saído por querer abrir um escritório semelhante. O motivo da saída de Isabelle não foi informado.
Ainda segundo o parente, que era confidente da jovem, Isabelle enviou um áudio de cerca de 13 minutos pouco antes de morrer. Na gravação, ela relatou problemas no relacionamento e afirmou ter descoberto recentemente que João era casado no civil.
Casamento terminou em agosto
Documentos obtidos pelo Diário do Nordeste mostram que João se casou com uma fisioterapeuta em 6 de janeiro de 2025, em um cartório de Iguatu, no interior do Ceará. O casamento foi registrado sob o regime de comunhão parcial de bens.
O divórcio foi formalizado em 12 de agosto de 2026, de forma consensual. No documento, o fim da união é justificado pela “insuperável impossibilidade de convivência conjugal”. A ex-esposa também solicitou o retorno ao nome de solteira.
O processo de divórcio foi realizado gratuitamente em razão da alegada hipossuficiência econômica das partes.
Segundo o documento, a residência oficial da ex-esposa ficava na Rua Monsenhor Bruno, em Fortaleza, endereço do condomínio La Piazza, onde Isabelle morava com João, a mãe dele e um irmão. Foi nesse condomínio que o corpo da estudante foi encontrado na noite de 13 de setembro.
Estudante relatou relacionamento abusivo
Uma semana antes de morrer, Isabelle teria procurado novamente o confidente para reclamar do comportamento de João. Segundo o relato da testemunha, a jovem afirmou que “não suportava mais” o companheiro e seus comportamentos.
Durante uma ligação, a testemunha teria ouvido João pedir que Isabelle desligasse o telefone. Segundo o relato, ele disse: “Estou mandando”. A estudante teria respondido: “Você não manda em mim”.
No áudio enviado à testemunha na noite em que morreu, Isabelle também teria dito que se sentia explorada, que não suportava mais os “jogos emocionais” do companheiro e que era ameaçada constantemente.
Na gravação, a jovem ainda afirmou que, caso algo acontecesse com ela, o áudio deveria ser considerado uma prova, e pediu que a testemunha não acreditasse em João. O celular de Isabelle foi entregue à Polícia Civil e passa por análise.
Estudante caiu do 23º andar
Isabelle morreu por volta das 20h40 de 13 de setembro, após cair do terraço do condomínio La Piazza, na Aldeota, em Fortaleza. A Perícia Forense do Ceará (Pefoce) apontou lesões compatíveis com o impacto contra o solo.
Imagens de câmeras de segurança mostram que João foi até a portaria do prédio às 18h32 e deixou o condomínio. Isabelle permaneceu no local e, às 19h12, foi registrada sozinha no elevador, com o celular na mão, seguindo para o rooftop, no 23º andar.
A queda foi registrada por volta das 20h40. Cerca de duas horas depois, às 22h48, João retornou ao condomínio. As imagens continuam sendo analisadas pela Polícia Civil.
Polícia investiga morte
A Polícia Civil anunciou que oito pessoas seriam ouvidas na investigação. Parte das testemunhas já prestou depoimento, enquanto outras tiveram oitivas agendadas. A SSPDS também informou que imagens de câmeras e outros vestígios estão sendo analisados.
Exames realizados no corpo de Isabelle não identificaram substâncias de interesse toxicológico, e a possibilidade de gravidez também foi descartada. Exames complementares continuam sendo analisados.
Nesta terça-feira (22), João Munhoz Neto foi preso pela Polícia Civil do Ceará, segundo o Diário do Nordeste. A investigação sobre as circunstâncias da morte de Isabelle continua.