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Jovem é atraído para emboscada em motel e morto em disputa entre facções em Fortaleza

Segundo investigação, uma mulher marcou encontro com vítima e a levou até local onde dois homens ligados ao Comando Vermelho executaram o crime

Jovem pensou que ia ter um encontro íntimo, mas acabou morto a tiros | Foto: Reprodução/Inquérito Policial
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Um jovem de 20 anos foi morto após ser atraído para uma emboscada em Fortaleza, em um crime ligado à disputa entre facções criminosas. De acordo com investigação da Polícia Civil do Ceará, a vítima, João Rennan Lima dos Santos, conhecido como “Puro Amor”, teria sido levada ao local do crime por uma mulher que marcou um encontro íntimo falso.

O homicídio ocorreu em 14 de agosto de 2025, no bairro Vila Manoel Sátiro. Segundo o Ministério Público do Estado do Ceará, a ação foi executada por integrantes do Comando Vermelho e teria sido motivada por vingança. A vítima integraria a facção rival Guardiões do Estado, atualmente associada ao Terceiro Comando Puro.

Três suspeitos respondem ao processo na 6ª Vara do Júri da Comarca de Fortaleza. A ação penal está na fase de instrução criminal, quando são ouvidas acusação e defesa antes da decisão sobre eventual julgamento pelo Tribunal do Júri.

Emboscada marcada por encontro falso

Segundo o inquérito, a vítima foi atraída por Ludmila Sampaio Santos, apontada como suposta integrante do Comando Vermelho. Conversas obtidas pela investigação indicam que ela convidou Rennan para sair e sugeriu que os dois se encontrassem antes de seguir para um motel.

A polícia afirma que o convite teria sido parte de uma estratégia conhecida no meio criminoso como “cheiro do queijo”, utilizada para atrair a vítima até um local previamente escolhido para execução. Imagens de câmeras de segurança mostram que Rennan chegou ao ponto combinado e, poucos minutos depois, foi surpreendido pelos atiradores, que efetuaram diversos disparos.

Os investigadores também apontaram que Ludmila se afastou do local momentos antes da execução e deixou a área na direção oposta, comportamento considerado suspeito pelas autoridades.

João Rennan, vulgo 'Puro Amor', foi vítima de uma emboscada de rivais de facção - Foto: Reprodução/Inquérito Policial 

Crime teria sido motivado por vingança

De acordo com a denúncia do Ministério Público, o assassinato foi uma retaliação pela morte de uma mulher identificada como Grazielly, que teria ligação com o Comando Vermelho. Rennan era apontado como um dos responsáveis pelo homicídio.

Em documento encaminhado à Justiça, o MP afirma que o crime ocorreu no contexto de atuação de organização criminosa e que os envolvidos teriam agido de forma coordenada. 

Restou devidamente evidenciado que todos os denunciados atuaram em concurso de pessoas, de forma conjunta, com unidade de desígnios e divisão de tarefas, concorrendo direta, consciente e voluntariamente para o resultado morte, seja deliberando acerca da eliminação da vítima, seja efetuando os disparos de arma de fogo, seja ainda prestando auxílio indispensável à consumação do delito, conforme demonstram os elementos probatórios constantes dos autos.

Para os promotores, o caso se insere no contexto de disputas territoriais entre facções criminosas em Fortaleza, onde assassinatos são utilizados como forma de reafirmar domínio e intimidar grupos rivais.

Acusados e andamento do processo

Ludmila foi presa em 6 de janeiro deste ano. Um pedido de prisão domiciliar apresentado pela defesa foi negado pela Justiça em fevereiro. As investigações também apontam indícios de vínculo dela com o Comando Vermelho a partir de publicações em redes sociais e deslocamentos para áreas dominadas pela facção, como a Favela da Rocinha, no Rio de Janeiro.

Ela responde ao processo ao lado de Francisco Roberty Souza Galeno e Antônio Cristian Monteiro de Oliveira, apontados como executores do crime. Roberty foi preso em novembro de 2025 por outro homicídio relacionado à disputa entre facções. Já Antônio Cristian teve prisão preventiva decretada, mas ainda não foi localizado.

As participações dos suspeitos foram identificadas a partir de imagens do dia do crime e de depoimento de uma testemunha protegida, que afirmou que a dupla vinha fazendo ameaças contra a vítima.

Defesa contesta acusações

A defesa de Ludmila, representada pelo advogado Paulo Quezado, informou que aguarda a produção de provas ao longo da instrução criminal.

Já a defesa de Antônio Cristian afirmou, por meio da advogada Catharine de Marilac, que a denúncia se baseia em interpretações sem provas materiais suficientes e sustenta que a participação dele no crime será contestada no processo.

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