- Motorista Leandro da Silva foi denunciado por homicídio culposo após acidente que deixou sete mortos e 31 feridos.
- Acidente ocorreu na madrugada de 15 de junho na CE-187, em Tauá, durante viagem de Sobral para Juazeiro do Norte.
- Ministério Público afirma que motorista agiu com imprudência, realizando manobras incompatíveis com condução de ônibus.
- Laudo pericial aponta que rodovia estava em boas condições, sem buracos, e não identificou falhas nos sistemas do veículo.
- Motorista alegou ter perdido controle ao tentar desviar de animal, mas polícia afirma que condução foi anormal antes do acidente.
O motorista Leandro da Silva foi denunciado pelo Ministério Público do Ceará (MPCE), nesta quinta-feira (24), pelo crime de homicídio culposo pelas sete mortes provocadas no acidente com um ônibus que transportava integrantes de um time de basquete de Juazeiro do Norte. Segundo a investigação, o condutor perdeu o controle do veículo após realizar sucessivos deslocamentos laterais na pista.
O acidente aconteceu na madrugada de 15 de junho, na CE-187, em Tauá, enquanto o grupo retornava de Sobral para Juazeiro do Norte. O ônibus tombou e seis atletas e um integrante da comissão técnica morreram. Outras 31 pessoas ficaram feridas.
A denúncia foi apresentada pela 1ª Promotoria de Justiça de Tauá. Conforme o Ministério Público, Leandro teria agido com imprudência ao realizar manobras consideradas incompatíveis com a condução de um veículo de transporte coletivo de grande porte.
Segundo a promotoria, o laudo pericial apontou que a rodovia estava seca, em boas condições de conservação e sem buracos, além de apresentar boa visibilidade. A perícia também não identificou problemas nos sistemas de freio e direção nem nos pneus do ônibus.
Com base nesses elementos, o Ministério Público afirma que o acidente ocorreu após um desvio brusco realizado pelo motorista.
Versão apresentada pelo motorista
Em depoimento à Polícia Civil após o acidente, Leandro afirmou que perdeu o controle do ônibus ao tentar desviar de um animal que estaria na pista. Segundo o relato, ele levou o veículo para o acostamento e o eixo traseiro teria ficado preso em uma estrutura às margens da rodovia.
O motorista disse ainda que tentou retornar à pista e, durante a manobra, o ônibus teria passado por um buraco. Na sequência, ele teria perdido o controle da direção, provocando o tombamento.
A Polícia Civil, no entanto, concluiu que o veículo foi conduzido de maneira anormal antes do acidente, com “sucessivos deslocamentos laterais” até a perda do controle. Para os investigadores, as mortes e os ferimentos foram consequência da condução do motorista.
Denúncia por lesões será analisada separadamente
No início de setembro, a Polícia Civil havia indiciado Leandro pelo homicídio culposo das sete vítimas. O Ministério Público manteve o entendimento ao apresentar a denúncia à Justiça.
A investigação policial também apontou responsabilidade do motorista pelas lesões provocadas nos 31 sobreviventes. Nesse caso, porém, o Ministério Público decidiu separar a apuração em outro processo. Por enquanto, a denúncia apresentada nesta quinta-feira trata apenas das sete mortes.
A 1ª Promotoria de Tauá informou que solicitará à Polícia Civil a identificação de todos os passageiros que sofreram lesões e a manifestação das vítimas adultas ou de seus representantes legais, no caso dos menores de 18 anos.
Vítimas tinham entre 15 e 22 anos
As sete pessoas que morreram tinham entre 15 e 22 anos e eram atletas ou integrantes da comissão técnica das categorias sub-15 e sub-19 do time de basquete de Juazeiro do Norte.
As vítimas foram:
- Marcos Miguel da Silva, 22 anos, integrante da comissão técnica;
- Henrique Ferreira Bezerra, 17 anos, atleta sub-19;
- João Paulo Sampaio de Alencar, 18 anos, atleta sub-19;
- Luiz José de Morais Neto, 18 anos, atleta sub-19;
- Cauã Rodrigues Fratta, 16 anos, atleta sub-19;
- Jonatas Samuel do Santos Lopes, 15 anos, atleta sub-15;
- Matheus Henrique Ferreira Martins, 15 anos, atleta sub-15.
Segundo um oficial do Corpo de Bombeiros que participou do resgate, cinco vítimas foram retiradas pela janela do ônibus após o tombamento e ficaram sob o peso do veículo. As outras duas foram encontradas e retiradas das ferragens no interior do coletivo.
Além das sete mortes, 31 pessoas ficaram feridas e precisaram de atendimento médico em hospitais da região. O último sobrevivente, um jovem de 17 anos, recebeu alta em 30 de julho, 45 dias após o acidente.