- Mayara Costa e Auriston Costa foram presos em Sobral (CE) durante operação da Polícia Civil.
- A dupla é investigada por suspeita de participar em esquema de lavagem de dinheiro ligado à Comando Vermelho (CV).
- Operação cumpriu 47 mandados de prisão e apreendeu R$ 100 mil, veículos de luxo e imóveis.
- Polícia Civil busca atingir estrutura financeira da facção criminosa em outros estados do país.
Uma influenciadora digital e personal trainer, identificada como Mayara Costa, e o companheiro dela, o engenheiro Auriston Costa, foram presos nesta quinta-feira (18) durante uma operação da Polícia Civil do Ceará contra integrantes da facção criminosa Comando Vermelho (CV). O casal mora em Sobral, na região norte do estado, e é investigado por suspeita de participação em um esquema de lavagem de dinheiro ligado à organização criminosa.
Segundo informações apuradas pela polícia, os investigados teriam atuado na movimentação e ocultação de recursos ilícitos da facção. A operação foi realizada simultaneamente em oito estados brasileiros e teve como alvo um grupo suspeito de movimentar mais de R$ 1 bilhão nos últimos três anos.
Nas redes sociais, Auriston se apresenta como especialista em investimentos e financiamento imobiliário. Já Mayara Costa compartilha conteúdos relacionados ao universo fitness, dança e bem-estar, acumulando mais de 16 mil seguidores no Instagram.
Operação cumpriu 47 mandados de prisão
A ofensiva policial ocorreu no Ceará, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Amazonas, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Tocantins.
Ao todo, foram cumpridos 47 mandados de prisão por crimes relacionados à integração de organização criminosa e lavagem de dinheiro. Desse total, 18 investigados já estavam recolhidos em unidades prisionais e tiveram os mandados formalmente executados. Outros 29 foram presos durante a operação.
Somente no Ceará, foram cumpridas 41 decisões judiciais.
Carros de luxo, imóveis e dinheiro apreendidos
Durante o cumprimento dos mandados, as equipes policiais apreenderam 64 veículos. Desses, 16 foram localizados em Sobral. Entre os automóveis estão modelos de alto valor de mercado, como Toyota Hilux, Toyota SW4 e Jeep Compass.
As investigações também resultaram na apreensão de armas de fogo, munições e cerca de R$ 100 mil em dinheiro. Além disso, cinco imóveis foram sequestrados judicialmente, incluindo uma fazenda.
De acordo com a Polícia Civil, o objetivo é atingir não apenas os integrantes da organização criminosa, mas também a estrutura financeira que sustenta as atividades do grupo.
"Identificamos muito patrimônio ligado a essas pessoas e é por isso que essa ação, além de buscar a captura desses criminosos, está buscando também a apreensão dos bens, bloqueio e sequestro. Temos imóveis de luxo, veículos de alto valor agregado e contas bancárias bloqueadas para atingir a estrutura financeira dessa facção criminosa", afirmou o delegado-geral da Polícia Civil do Ceará, Márcio Gutiérrez.
Advogados também são investigados
Entre os alvos da operação estão dois advogados suspeitos de envolvimento no esquema.
Um deles foi preso em Fortaleza pelos crimes de integração a organização criminosa e lavagem de dinheiro. Segundo a investigação, ele teria participação direta na movimentação financeira do grupo.
O segundo advogado foi alvo de mandado de busca e apreensão. O escritório utilizado pelos investigados também foi alvo das equipes policiais.
As apurações apontam que a organização criminosa utilizava uma estrutura sofisticada para movimentar e ocultar recursos de origem ilícita.
Polícia busca atingir atuação da facção em outros estados
Ainda segundo a Polícia Civil, foi solicitado à Justiça o bloqueio de contas bancárias ligadas aos investigados, que movimentaram mais de R$ 1 bilhão.
Apesar das prisões realizadas, 15 investigados com mandados de prisão preventiva continuam foragidos e são procurados pelas autoridades.
O delegado-geral Márcio Gutiérrez destacou que muitos integrantes de facções criminosas deixam o Ceará para tentar escapar da ação policial, o que exige operações integradas em diferentes estados.
"A gente sabe que, quanto mais aumentamos a pressão dentro do Ceará, esses criminosos fogem para outros estados, como Rio de Janeiro, São Paulo, estados do Centro-Oeste e do Norte do país. Vamos continuar atuando para tirá-los de circulação", afirmou.