SEÇÕES

PM suspeita de morte de policial é investigada por vender contas falsas em app de transporte

Júlia Natália Girão Gomes e o marido são apontados pela polícia como integrantes de um grupo que criava contas falsas para motoristas em plataformas de transporte

Ver Resumo
  • Policiais militar e marido presos por envolvimento em esquema de fraudes em aplicativos de transporte.
  • Casal investigado por criação e comercialização de contas falsas e crimes contra a administração pública.
  • Policia militar acusada de envolvimento na morte de soldado, com contradições em depoimento e presença em oficina do marido.
  • Advogado da policial questiona prisão em flagrante, afirmando que ela se apresentou espontaneamente.
  • Secretaria afirma que ingresso na PM ocorreu antes dos crimes investigados, com etapas concluídas sem reprovações.
A policial militar Júlia Natália Girão Gomes e o soldado Raphael Sampaio da Silva | Foto: Reprodução
Siga-nos no

A policial militar Júlia Natália Girão Gomes, presa nesta terça-feira (11) por suspeita de envolvimento na morte do soldado Raphael Sampaio da Silva, também é investigada por integrar um esquema criminoso responsável pela criação e comercialização de contas falsas para motoristas em aplicativos de transporte.

O marido da policial, Antoneudo Ribeiro Lima Júnior, também foi preso em flagrante por posse de munições e documentos falsos.

Segundo as investigações, o casal fazia parte de uma organização criminosa voltada para a criação de perfis falsos em plataformas de transporte.

Casal é investigado por fraude eletrônica

Antoneudo Ribeiro Lima Júnior foi preso em setembro do ano passado por suspeita de vender contas falsas para motoristas de aplicativos.

Ele responde pelos crimes de estelionato, falsa identidade, lavagem ou ocultação de bens, integração em organização criminosa, receptação e posse irregular de arma de fogo de uso permitido.

Já Júlia Natália responde por estelionato, lavagem ou ocultação de bens e participação em organização criminosa.

De acordo com a Polícia Civil, o homem seria o principal articulador do esquema, enquanto a policial atuaria como colaboradora, cedendo dados pessoais e instrumentos financeiros e de comunicação para viabilizar as atividades do grupo.

Júlia Natália Girão Gomes, Raphael Sampaio da Silva e Antoneudo Ribeiro Lima Júnior (Foto: Reprodução)

Prisão

Júlia Natália foi presa por suspeita de envolvimento na morte do soldado Raphael Sampaio da Silva, de 27 anos, encontrado carbonizado dentro de um carro em Itaitinga, na Região Metropolitana de Fortaleza.

Segundo a Polícia Civil, a policial teria apresentado contradições durante o depoimento prestado às autoridades.

Imagens de câmeras de segurança registraram a presença da suspeita na oficina do marido, em Fortaleza, em um momento em que ela afirmou estar amarrada nas proximidades do local do crime.

A investigação aponta a possibilidade de que a policial tenha tentado se passar por vítima. Raphael e Júlia Natália teriam mantido um relacionamento amoroso.

A soldado foi autuada em flagrante por homicídio na sede do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

A policial militar Júlia Natália Girão Gomes e o marido dela, Antoneudo Ribeiro Lima Júnior, presos em Fortaleza. (Foto: Reprodução)

Defesa questiona prisão

O advogado Walmir Medeiros, responsável pela defesa da policial, afirmou que a prisão em flagrante não seria adequada.

Segundo ele, Júlia Natália compareceu espontaneamente à delegacia.

“Ela não poderia estar presa em flagrante, porque ela foi para a delegacia, não foi buscada. Então, esse flagrante não cabe. Se a pessoa se apresenta, tem que ser feito um inquérito. Ela se apresentou e foi presa em flagrante”, afirmou o advogado.

denúncia

De acordo com a Polícia Civil, a investigação sobre o esquema de fraude começou em junho de 2025, após uma denúncia apresentada por uma empresa de transporte por aplicativo.

As apurações indicaram que o casal e outras 11 pessoas participavam da criação de contas falsas na plataforma.

Em setembro de 2025, Antoneudo foi preso e indiciado por organização criminosa, falsa identidade, lavagem de dinheiro e fraude eletrônica.

No mesmo inquérito, Júlia Natália foi indiciada por organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Secretaria afirma que ingresso na PM ocorreu antes dos crimes investigados

A Secretaria da Segurança Pública informou que Júlia Natália ingressou na Polícia Militar por meio do concurso realizado em 2021 e foi convocada em 2022.

Na época, a etapa de investigação social foi concluída sem qualquer registro de reprovação.

Segundo a pasta, a única fase adiada foi o Teste de Aptidão Física, em razão da gestação da candidata.

Após concluir as demais etapas e o Curso de Formação de Soldados, Júlia Natália passou a integrar oficialmente a corporação em novembro de 2024.

“Portanto, o ingresso da soldado na PMCE foi anterior ao cometimento dos crimes”, destacou a Secretaria.

Tópicos

VER COMENTÁRIOS

Carregue mais
Veja Também
ACESSE NOSSO
CANAL NO ZAP