Francisco Rinivaldo Barbosa Gomes, conhecido como Pai Nivaldo de Oxóssi, de 49 anos, foi preso preventivamente em Fortaleza, por suspeita de violação sexual mediante fraude, estupro e violência psicológica contra a mulher. A nova fase do caso revela que ao menos sete mulheres denunciaram o líder religioso, que atua há cerca de dez anos na umbanda e integra a diretoria da União Espírita Cearense de Umbanda.
A prisão foi determinada pela 10ª Vara Criminal da Comarca de Fortaleza, com base em mandado expedido em dezembro do ano passado. O processo tramita em segredo de Justiça, e as investigações seguem em andamento.
Denúncias apontam uso de liderança religiosa
De acordo com relatos das vítimas, Pai Nivaldo de Oxóssi se aproveitava da posição de liderança espiritual para conquistar a confiança das mulheres e, a partir disso, criar situações que seriam justificadas por rituais religiosos. Uma das denunciantes afirmou que os abusos teriam começado de forma psicológica e evoluído para crimes sexuais.
“Depois que ele via que a pessoa tinha uma confiança, ele começava com a questão dos abusos psicológicos. À medida que ele via que tinha brecha, ia tentando o abuso sexual. Inventava algum trabalho espiritual com as filhas [de santo] mais novas, ter alguns banhos de descarrego, banho de axé, no qual ele forçava, dizendo que estava com entidade, para que as filhas tomassem o banho despida”, relatou uma das vítimas.
Segundo os depoimentos, os abusos teriam ocorrido tanto no terreiro quanto em outros locais, como praias, cachoeiras ou residências das vítimas, sempre sob a justificativa de práticas religiosas. As mulheres também relataram episódios de intimidação e humilhação durante reuniões.
“Ele utilizava muito da humilhação durante as reuniões, que as filhas de santo não podiam recusar ou deixar de atender a ligação dele, ou deixar de responder uma mensagem”, afirmou outra denunciante.
Relatos incluem controle e cobranças financeiras
As vítimas também relataram que o líder religioso dificultava a permanência de homens no terreiro e priorizava a presença de mulheres. Além disso, afirmam que eram pressionadas a realizar pagamentos frequentes, sob a promessa de prosperidade espiritual e material.
“Ele prometia que a gente ia prosperar, só que nunca aconteceu essa prosperidade, porque sempre vinham valores grandiosos”, disse uma das mulheres.
Após deixarem o terreiro e conversarem entre si, as vítimas decidiram procurar a polícia e buscar apoio jurídico. A advogada Andressa Esteves, da Associação Marta, que acompanha o caso, afirmou que há relatos de diferentes crimes sendo apurados.
“Trouxeram relatos de estelionato religioso, de estupro de vulnerável, de extorsão. É um caso muito complexo, que a gente precisa agir de forma bem cautelosa”, declarou.
Defesa nega acusações e entidade se manifesta
Em nota, a defesa de Francisco Rinivaldo Barbosa Gomes afirmou que ele nega categoricamente a prática de qualquer crime e sustenta que estaria sendo alvo de falsas acusações motivadas por vingança. Os advogados informaram que aguardam acesso aos autos do processo.
A União Espírita Cearense de Umbanda também se manifestou, afirmando ter recebido a notícia da prisão com surpresa e reiterando confiança no trabalho da Justiça. A entidade declarou acreditar que os fatos serão devidamente esclarecidos.
O caso havia sido noticiado anteriormente após a prisão do líder religioso, quando ainda não havia detalhes sobre as denúncias. Com o avanço das investigações, novas informações passaram a integrar o inquérito, que segue sob responsabilidade das autoridades competentes.