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Sequestradores ameaçaram esquartejar passageira em carro de app no Ceará

Mulher afirma que foi encapuzada, mantida em cativeiro e ameaçada de morte enquanto criminosos faziam Pix, empréstimos e usavam seus cartões

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  • Homem sequestrou passageira em Fortaleza após desviar trajeto de corrida.
  • Vítima foi encapuzada, ameaçada e usada para realizar transações financeiras.
  • Cinco suspeitos foram presos e acusados de roubo, extorsão e tráfico de drogas.
  • Uber desativou motorista acusado, enquanto defesa nega participação no crime.
  • Investigação aponta que parte do dinheiro foi transferida para conta do motorista.
Na sequência: Claudio Natan, Ana Karolina, Rayane da Silva e Otavio Joas. | Foto: Reprodução
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Uma mulher de 27 anos relatou os momentos de terror vividos após ser sequestrada por um motorista de aplicativo na noite da última quinta-feira (9), no bairro Meireles, em Fortaleza (CE). Segundo a investigação da Polícia Civil (PC), o condutor desviou o trajeto da corrida para permitir a entrada de comparsas no veículo. A vítima foi levada para um cativeiro, onde ficou sob ameaças de morte enquanto os criminosos realizavam empréstimos, transferências via Pix e outras movimentações financeiras. Cinco suspeitos foram presos em flagrante, e as prisões foram convertidas em preventivas.

Vítima diz que foi encapuzada e ameaçada de morte

Em novo depoimento à polícia nesta segunda-feira (13), a passageira contou que a ação criminosa começou logo após o embarque.

Segundo ela, o motorista alegou estar sem internet e perguntou se ela poderia indicar o caminho até sua residência. Ao oferecer o GPS do celular, o veículo foi parado para que comparsas entrassem.

“Eu fui encapuzada, amarrada, fui levada até o cativeiro. Foi lá que eu passei cerca de uma hora, vivenciando todo esse terror. Foi aí que eles fizeram todas as transações, liberaram o limite no meu cartão de crédito, fizeram transferências de Pix”, relatou.

A vítima afirmou ainda que sofreu ameaças constantes durante o período em que esteve em poder dos criminosos.

“Eles me ameaçavam todo o tempo que se eu denunciasse, eles iriam me matar, iriam matar minha família, iriam matar meus cachorros, iriam me esquartejar. Eu estava todo o tempo sob ameaça.”

Motorista desviou percurso, diz investigação

De acordo com o processo judicial, a mulher solicitou uma corrida pela plataforma Uber após sair de uma casa de shows na Avenida Desembargador Moreira.

Ela embarcou em um carro conduzido por Matheus Bandeira Fontoura, cadastrado como motorista da plataforma. Conforme a investigação, ele alterou deliberadamente o trajeto, reduziu a velocidade em um ponto previamente combinado e permitiu a entrada de dois criminosos no veículo.

Armados com uma suposta arma de fogo, os suspeitos renderam a passageira, tomaram seu celular e a levaram para um imóvel utilizado como cativeiro.

Quadrilha fez Pix, empréstimos e compras

Enquanto a vítima permanecia sob vigilância, os criminosos utilizaram seu celular para realizar transferências bancárias, contratar empréstimos e utilizar cartões bancários.

As investigações da Delegacia Antissequestro (DAS) apontaram que parte do dinheiro obtido com as fraudes foi transferida diretamente para a conta do motorista.

Ao ser localizado, Matheus Bandeira Fontoura confessou participação no crime e apontou Claudio Natan Barros da Silva, conhecido como "Sorriso", como um dos articuladores da ação, segundo a investigação.

Prisões e apreensões

Durante as diligências, policiais localizaram Claudio Natan, Otavio Joas Martins de Castro e Ana Karolina da Silva Horta em uma residência ligada ao grupo.

No imóvel, foram recuperadas joias da vítima, além da apreensão de uma arma falsa, dinheiro em espécie, porções de maconha e cerca de 50 gramas de cocaína.

As investigações apontam que Ana Karolina auxiliou nas movimentações bancárias enquanto a vítima estava em cativeiro, enquanto Otavio participou das fraudes financeiras e também responderá por tráfico de drogas.

Uma quinta suspeita, identificada como Rayane da Silva Queiroz, foi presa por lavagem de dinheiro, após receber parte dos valores desviados.

Segundo a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), os investigados respondem por roubo com restrição de liberdade da vítima, extorsão qualificada, associação criminosa, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, conforme a participação de cada um.

Uber desativa motorista; defesa nega participação

Em nota, a Uber informou que o motorista teve a conta desativada e que a empresa está colaborando com as autoridades.

A plataforma também afirmou que todas as viagens contam com seguro e que disponibilizou à vítima um canal de suporte psicológico em parceria com o MeToo Brasil.

Já a defesa de Matheus Bandeira Fontoura sustenta a inocência do motorista.

Segundo os advogados, ele “não teve participação criminosa” e os elementos que comprovariam essa versão serão apresentados no decorrer do processo. A defesa também destacou que Matheus é primário, possui bons antecedentes e nunca respondeu a processo criminal.

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