Por Jéssica Machado.
Victor Gomes de Carvalho, suspeito de matar o próprio pai a facadas em Teresina, estava nu quando se entregou à sede da Polícia Rodoviária Federal, na madrugada desta quinta-feira (29). Ele era procurado desde a segunda-feira (26), quando ocorreu o crime na região do Verde Lar, zona Leste da cidade.
"Ele compareceu lá por volta de 1h30, relatou que era o autor do homicídio, e que queria se entregar. A equipe de pronto fez os procedimentos e entrou em contato com a nossa central, que entrou em contato com a Polícia Militar, que estava atrás do mesmo. E conduzimos para cá. Estava cansado, aparentemente já estava bem debilitado, se desfez das roupas", disse o inspetor da PRF.
O CRIME
O homicídio aconteceu depois de uma discussão entre pai e filho. Sebastião foi atingido com facadas no pescoço e na região dos olhos. Conforme o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Victor é usuário de drogas e vivia com o pai. No dia do crime, ele teria ido pedir dinheiro e, diante da recusa, os dois começaram a brigar, o que acabou resultando na morte.
FUGA
Depois do crime, Vitor deixou o local na motocicleta da vítima. Durante as buscas, policiais do 29º Batalhão avistaram o suspeito circulando com o veículo e conseguiram abordá-lo nas proximidades da Ambev, na BR-343. Ele chegou a cair da moto, mas escapou novamente e entrou em uma área de mata.
O QUE DISSE O SUSPEITO?
Após se entregar, Victor afirmou, em vídeo, que matou o próprio pai por vingança e alegou ter sido abusado por ele na infância. No relato, o suspeito disse que houve uma discussão logo após ele chegar à casa da avó. Ele negou estar sob efeito de entorpecentes e afirmou que as brigas constantes também intensificaram sua motivação. Veja trechos do depoimento:
"Foi na hora lá, discutindo, discutindo, foi na hora que ele [disse] ‘vem, vem não sei o que’, foi na hora que eu peguei, também tava com um facão, foi na hora que a fúria subiu pra mente, o sangue subiu pra cabeça.
Me defendi. Tem até um corte aqui, mas já cicatrizou já. Só lesão. [...] Se vocês quiserem pode até fazer exame.
Antigamente ele me abusava, quando ele era menor, me espancava, ele já tentou me aleijar para ele receber o negócio do salário mesmo. Mas nunca me esqueci disso, mas tipo assim eu já tinha até relevado. Mas teve uma hora que ele começou a me xingar, dizer que não valia nada, valia a merda do gato, essas coisas. Dizendo que eu era terrorista, bandido, vagabundo, me chamava dessas coisas e eu estudando, só estudando, tudo certinho, querendo crescer na vida.
Foi por causa da briga mesmo, me xingando, me xingando desde cedo, jogando pedra lá no meu quarto. Ele tinha pegado um facão lá, um facão bem grandão, jogando pedra em cima da casa. [...] Tipo assim eu ia me entregar, não ia fugir de nada não. Me arrependo sim”, afirmou o investigado.