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Descoberta inédita: cientistas identificam primeiro câncer transmissível em peixes de água doce

Estudo revela que células cancerígenas se espalham entre bagres como um parasita, fenômeno extremamente raro na natureza.

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  • Estudo revela primeiro caso de câncer transmissível em peixes de água doce, identificado em bagres-cabeça-marrom no Lago Memphremagog.
  • Câncer é transmitido por células tumorais que se multiplicam entre indivíduos, comportando-se como um parasita, comprovado por análise genética.
  • Descoberta é o quarto caso conhecido de câncer transmissível na natureza e o primeiro em peixes de água doce, após registros em cães e moluscos.
  • Transmissão pode ocorrer por células liberadas na água, que infectam outros peixes, especialmente com lesões na pele, segundo pesquisadores.
  • Estudo contribui para compreender como tumores escapam do sistema imunológico e pode auxiliar em pesquisas sobre evolução e conservação.
. A doença foi identificada em bagres-cabeça-marrom (Ameiurus nebulosus) que vivem no Lago Memphremagog, localizado na fronteira entre os Estados Unidos e o Canadá. | Foto: REPRODUÇÃO
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Uma descoberta inédita publicada na revista científica Nature revelou o primeiro caso conhecido de câncer transmissível em peixes de água doce. A doença foi identificada em bagres-cabeça-marrom (Ameiurus nebulosus) que vivem no Lago Memphremagog, localizado na fronteira entre os Estados Unidos e o Canadá. 

Diferentemente da maioria dos cânceres, que se desenvolvem apenas no organismo onde surgem, esse tipo raro é transmitido pelas próprias células tumorais, que passam de um animal para outro e continuam se multiplicando, comportando-se de forma semelhante a um parasita. 

Casos chamaram atenção há mais de uma década

Os primeiros sinais da doença foram observados em 2012, quando pescadores e pesquisadores começaram a encontrar bagres com manchas escuras e elevadas na pele. Análises realizadas entre 2014 e 2017 mostraram que até 37% dos peixes do lago apresentavam melanomas, um índice considerado muito acima do esperado para a espécie. 

Para entender a origem da enfermidade, cientistas realizaram o sequenciamento genético dos tumores e compararam o DNA das células cancerígenas com o dos peixes infectados. Os resultados confirmaram que os tumores não surgiam de forma independente em cada animal, mas compartilhavam a mesma origem genética, comprovando que as células cancerosas estavam sendo transmitidas entre diferentes indivíduos. 

Fenômeno é extremamente raro

Até agora, esse tipo de câncer havia sido registrado naturalmente apenas em cães, nos diabos-da-tasmânia e em algumas espécies de moluscos, como mexilhões e mariscos. A descoberta nos bagres representa o quarto caso conhecido de câncer transmissível na natureza e o primeiro em peixes de água doce. 

Os pesquisadores ainda investigam como ocorre a transmissão entre os animais, mas acreditam que células tumorais sejam liberadas na água e consigam sobreviver tempo suficiente para infectar outros peixes, especialmente quando há pequenas lesões na pele. 

Descoberta pode ampliar conhecimento sobre o câncer

Segundo os cientistas, o estudo ajuda a compreender melhor como alguns tumores conseguem escapar do sistema imunológico e sobreviver em novos hospedeiros. O conhecimento pode contribuir para futuras pesquisas sobre evolução do câncer, imunidade e conservação da vida aquática. Apesar da descoberta, especialistas destacam que não há evidências de que esse tipo de câncer possa ser transmitido para seres humanos por meio do consumo de peixes.

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