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Dia de São João: conheça a história, símbolos e tradições das festas juninas no Brasil - Da fogueira ao forró

Entenda a origem do Dia de São João e como a festa junina se tornou uma das maiores manifestações do Brasil - Da fogueira ao forró

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Da fogueira ao forró

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Antes de ser festa junina, a celebração de São João era, em Portugal e Espanha, a "Festa Joanina", uma comemoração religiosa em honra ao santo, com fogueiras, cantos e procissões. Os portugueses trouxeram essa tradição para o Brasil durante a colonização, no século XVI, e ela encontrou aqui um terreno fértil: um povo que já cultivava suas próprias celebrações sazonais ligadas à terra, à colheita e aos ciclos da natureza.

Com o tempo, o nome "Festa Joanina" foi cedendo lugar ao mais simples e sonoro "festa junina", uma contração que faz referência ao mês de junho, quando todas as comemorações se concentram. O nome perdeu o santo explícito, mas a festa guardou sua alma religiosa misturada com elementos da cultura popular brasileira, especialmente a do interior nordestino.

RAÍZES PAGÃS E CRISTÃS, LADO A LADO

Há, contudo, uma camada ainda mais antiga nessa tradição. Antes do cristianismo, povos camponeses do hemisfério norte reuniam-se em torno de grandes fogueiras no mês de junho para celebrar o solstício de verão, agradecer pela colheita e pedir proteção contra maus espíritos. A Igreja Católica, ao longo dos séculos, incorporou esses costumes e os ressignificou: cada fogueira passou a ter uma forma associada a um santo.

  • A fogueira redonda é de São João
  • A fogueira quadrada pertence a Santo Antônio
  • A triangular é associada a São Pedro

No Brasil, com o solstício de inverno em junho, a fogueira ganhou um simbolismo adicional: o de aquecer corpos e reunir comunidades em torno da brasa, em noites mais frias do sertão. O fogo deixou de ser apenas um aviso ou um ritual e se tornou o coração físico da festa — o ponto de encontro onde o sagrado e o profano se misturam com naturalidade.

Nesse caldeirão cultural, o forró nasceu e cresceu. Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, eternizou em música a ligação entre a festa e a colheita do milho, símbolo alimentar de um Nordeste que celebrava com o que tinha na roça e na panela. A canjica, a pamonha, o mungunzá e o bolo de milho são herança direta dessa matriz agrária que deu forma à maior festa popular do Brasil.

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