Impacto na economia
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Toda rivalidade tem sua glória, e a que existe entre Caruaru, em Pernambuco, e Campina Grande, na Paraíba, pelo título de "maior São João do mundo" é uma das mais produtivas do Nordeste. As duas cidades realizam festas que duram 30 dias inteiros, mobilizam centenas de milhares de turistas, movimentam economias locais e colocam o Brasil no mapa das grandes celebrações populares do planeta.
Em Caruaru, a festa tem raízes profundas no artesanato e na cultura sertaneja. O Alto do Moura, distrito da cidade, é reconhecido pela Unesco como o maior centro de arte figurativa das Américas — e o São João é o momento em que essa identidade cultural se apresenta ao mundo com toda a força. Quadrilhas juninas, forró pé de serra e comidas típicas disputam espaço com shows de grandes nomes da música nordestina.
FERIADO E DEVOÇÃO
A força da festa de São João no Nordeste é tamanha que alguns estados decretam feriado em 24 de junho. Pernambuco, Alagoas e Paraíba reconhecem oficialmente a data no calendário estadual. Além disso, municípios cujo padroeiro é São João ou que têm tradição histórica de homenageá-lo também costumam paralisar suas atividades na data, misturando devoção religiosa com celebração popular sem cerimônias de separação entre as duas.
O impacto econômico das festas juninas vai muito além dos shows e das barracas de comida. Toda uma cadeia produtiva é movimentada: artesãos, costureiras de trajes típicos, fabricantes de bandeirolas, músicos, promotores, donos de pousadas e restaurantes. No Nordeste, o mês de junho representa, para muitos trabalhadores informais, a principal temporada de renda do ano, comparável ao que o Carnaval representa para o Rio de Janeiro.
Para além dos números, o São João é uma afirmação de identidade. Em um país que por muito tempo olhou para o sul em busca de referências culturais, as festas juninas foram uma das formas pelas quais o Nordeste resistiu, celebrou e se orgulhou de sua própria maneira de ser. O chapéu de palha, a roupa xadrez, a sanfona e o forró não são apenas figurino — são bandeira.
E assim, a cada 24 de junho, o Brasil para — ou ao menos o Nordeste para com muito barulho, muito fogo e muita música — para lembrar um profeta nascido há dois mil anos numa cidade pequena da Palestina. A história de João Batista atravessou oceanos, sobreviveu a impérios e se transformou em uma das maiores festas populares do mundo. São João não é apenas um santo no calendário: é um pretexto coletivo para que o povo celebre a si mesmo.