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Dia Internacional da Mulher: 7 nordestinas que fizeram história no Brasil - Maria Aragão

Sete trajetórias marcadas por coragem, luta e transformação ajudam a contar como mulheres do Nordeste deixaram marcas e seguem inspirando novas gerações - Maria Aragão

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Maria Aragão

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QUEM FOI?

Maria José de Camargo Aragão nasceu em 10 de fevereiro de 1910, no Engenho Central, no município de Pindaré-Mirim, interior do Maranhão. Era a terceira filha de uma família com sete irmãos. Seu pai, Emídio Aragão, descendente de africanos, trabalhava como guarda-fios da Companhia de Telégrafos, enquanto sua mãe, Rosa Camargo, mesmo sem saber ler ou escrever, teve papel decisivo na educação dos filhos.

Com o objetivo de garantir melhores oportunidades de estudo, a família passou a viver em São Luís. Na capital maranhense, Maria Aragão cursou o ensino primário e posteriormente ingressou no Liceu Maranhense. Na época, muitas jovens seguiam o chamado curso Normal, voltado à formação de professoras. Apesar disso, Maria já demonstrava interesse pela Medicina.

Mesmo atendendo ao desejo da mãe e concluindo o curso Normal com destaque, ela continuou perseguindo o sonho de se tornar médica. Em 1934, mudou-se para o Rio de Janeiro em busca de tratamento médico para a mãe. Após a morte de Rosa Camargo, Maria decidiu iniciar o curso de Medicina na antiga Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro. A formação foi marcada por dificuldades financeiras e muitos sacrifícios, mas ela conseguiu concluir o curso.

Já formada, começou a atuar como médica e, em 1942, iniciou sua carreira na pediatria. Dois anos depois, porém, a morte da filha durante uma epidemia a fez se afastar do atendimento infantil e seguir na área da ginecologia.

Maria Aragão | Foto: Reprodução

IMPORTÂNCIA HISTÓRICA

Além da atuação na medicina, Maria Aragão tornou-se uma figura importante na vida política e social do Maranhão. Em 1944, passou a frequentar reuniões do Partido Comunista e, após participar de um comício de Luiz Carlos Prestes, decidiu se filiar à organização.

Depois de viver mais de uma década no Rio de Janeiro, Maria Aragão retornou ao Maranhão com o objetivo de fortalecer o Partido Comunista no estado. A partir desse momento, passou a desenvolver uma intensa atuação política, participando de comícios, escrevendo e distribuindo jornais e panfletos e organizando manifestações, inclusive em portas de fábricas. Também percorreu diferentes cidades para ampliar a organização partidária e mobilizar novos apoiadores.

Esse trabalho resultou em cerca de 2.600 filiados ao partido no estado. A visibilidade também trouxe perseguições. Em algumas cidades do interior, religiosos chegaram a tocar sinos fúnebres quando ela chegava, como forma de protesto contra sua atuação política.

Durante a Ditadura Militar (1964–1985), Maria Aragão continuou defendendo suas ideias e manteve a medicina como parte de sua militância social. Foi presa pela primeira vez em 1951, durante um movimento popular contra a política de Vitorino Freire. Na época, dirigia o jornal Tribuna do Povo, que publicava críticas ao governo.

Anos depois, em maio de 1973, foi presa novamente pela Polícia Federal e levada para Fortaleza, onde sofreu torturas. Permaneceu detida até ser libertada em 8 de março de 1978.

Mesmo diante de perseguições, Maria Aragão manteve o compromisso com a população mais pobre. Durante muitos anos, realizou atendimentos médicos gratuitos, visitando pacientes em suas próprias casas. Em alguns casos, as pessoas pagavam apenas o custo do transporte.

Entre os locais onde atuou como médica, podem ser citados:

  • a Liga Maranhense de Combate ao Câncer, hoje Fundação Antonio Jorge Dino, responsável pelo Hospital Aldenora Belo;
  • o posto de saúde do bairro João Paulo, em São Luís.

Praça Maria Aragão, em São Luís, foi desenhada por Oscar Niemeyer | Foto: Reprodução/O Imparcial

LEGADO

Maria Aragão morreu em 23 de julho de 1991, em São Luís, aos 81 anos. O velório reuniu milhares de pessoas, que acompanharam o cortejo entre a Assembleia Legislativa do Maranhão e o Cemitério do Gavião.

Sua trajetória ficou marcada pela união entre medicina, luta política e defesa dos direitos sociais. Ao longo da vida, enfrentou preconceitos e perseguições, mas manteve a atuação voltada para as causas populares e para o atendimento às pessoas mais vulneráveis.

Após sua morte, diferentes iniciativas foram criadas para preservar sua memória e sua contribuição histórica.

São elas:

  • Instituto Maria Aragão, fundado em 2001 por amigos e admiradores, com atuação na defesa dos direitos humanos.
  • Memorial Maria Aragão, inaugurado em 2004 no Centro Histórico de São Luís. O espaço foi projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer e busca preservar a memória da médica e militante.

Hoje, Maria Aragão é lembrada como uma figura importante na história social e política do Maranhão. Sua atuação na medicina e na militância política transformou seu nome em referência de coragem, compromisso social e defesa dos direitos da população.

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