As bases de pesquisa do Reino Unido e dos Estados Unidos na Antártida estão recrutando uma nova leva de profissionais para atuar no continente gelado. E não é preciso ser cientista: há vagas para carpinteiros, eletricistas, chefs, encanadores, médicos, paramédicos e até cabeleireiros.
Uma das cinco bases administradas pelo British Antarctic Survey (BAS) é a Estação Halley VI, atualmente chefiada por Dan McKenzie, de 38 anos. Durante o verão antártico — de novembro a meados de fevereiro — ele lidera uma equipe de cerca de 40 pessoas.
Instalada sobre a Plataforma de gelo Brunt, a Halley VI se dedica à coleta de dados espaciais e atmosféricos e ao monitoramento do buraco na camada de ozônio. A plataforma se desloca cerca de 400 metros por ano, tornando o ambiente ainda mais desafiador.
Frio extremo, isolamento e luz permanente
No verão, as temperaturas podem chegar a -15°C, além da presença de luz solar ininterrupta, com pores do sol que podem durar semanas. No inverno, o isolamento se intensifica.
Além das funções científicas, cerca de 70% das vagas do BAS são operacionais, fundamentais para manter as estações em funcionamento. O órgão recruta até 150 profissionais por ano, com salários a partir de £ 31.244 anuais (cerca de R$ 218 mil), incluindo viagem, hospedagem, alimentação e equipamentos especiais.
Ao todo, aproximadamente 5 mil pessoas trabalham na Antártida durante o verão, distribuídas em cerca de 80 estações de pesquisa, operadas por cerca de 30 países.
Processo seletivo rigoroso
O equivalente americano, o United States Antarctic Program, também divulga oportunidades online. Já o BAS promove inclusive um dia aberto ao público em março. O processo seletivo inclui testes psicológicos e de resolução de conflitos, além de treinamento intensivo antes do embarque.
Quem se interessa pela experiência precisa estar preparado para:
Escassez de alimentos frescos
Consumo limitado de álcool
Dormitórios compartilhados
Escala de trabalho de sete dias por semana
Trabalhar na Antártida pode ser uma aventura única — mas exige resiliência, preparo emocional e adaptação a condições extremas.