- Malia Nummerdor é acusada de práticas sexuais com cão da família na Flórida, Estados Unidos.
- Marido da acusada busca psicólogo para lidar com trauma causado pelo episódio.
- Psicólogos destacam que zoofilia é parafilia, mas envolve abuso por falta de consentimento.
- Descoberta pode afetar profundamente a relação conjugal, gerando insegurança e repulsa.
- Casos anteriores em EUA envolvendo zoofilia geraram investigações e mudanças legislativas.
O caso envolvendo Malia Nummerdor, acusada de praticar ato sexual com um cão da família na Flórida, nos Estados Unidos, ganhou repercussão após o marido, Erik Nummerdor, afirmar que pretende buscar acompanhamento psicológico para lidar com o trauma provocado pelo episódio.
Segundo especialistas, situações envolvendo atração sexual por animais são enquadradas no campo das parafilias. A professora e especialista em sexualidade Regina Racco destaca, porém, que existe um limite fundamental: o consentimento. “Um animal não tem como consentir com uma atividade sexual. Por isso, a prática envolve abuso”, afirmou.
Para Regina, a descoberta também pode provocar consequências profundas na relação conjugal, incluindo repulsa, insegurança e dificuldades na intimidade. A especialista explica que o parceiro pode passar a questionar aspectos da pessoa e da própria relação que até então desconhecia.
Impactos psicológicos
O psicólogo André Machado, doutor pela PUC-Rio, afirma que é necessário diferenciar fantasias de comportamentos concretos. Segundo ele, a zoofilia está inserida no campo das parafilias, mas a abordagem clínica deve avaliar fatores como sofrimento, risco ao animal, presença de outros transtornos e reconhecimento do problema.
No caso dos familiares e parceiros, Machado ressalta a importância de acompanhamento individualizado. Para ele, a descoberta pode representar uma “quebra brutal de confiança”, acompanhada de sentimentos como raiva, medo, repulsa e exposição pública.
“O marido entra como alguém que sofreu uma quebra brutal de confiança, exposição pública, nojo, raiva, medo e, muitas vezes, a sensação de que a relação inteira foi reescrita de trás para frente”, explicou.
Casos anteriores
Episódios semelhantes já foram investigados nos Estados Unidos. Em 2016, Rachel Harris e Carey Harris foram investigados após a descoberta de materiais de conteúdo sexual envolvendo um cão. O casal acabou indiciado por acusações relacionadas a maus-tratos contra animais e produção de conteúdo obsceno.
Outro caso de grande repercussão ocorreu em Enumclaw, no estado de Washington, em 2005, após a morte de um homem por complicações decorrentes de um ato sexual envolvendo um cavalo. A investigação revelou práticas clandestinas envolvendo animais e impulsionou discussões sobre mudanças na legislação estadual.
Machado alerta ainda que não existe um perfil social confiável que permita identificar previamente pessoas com esse tipo de comportamento. Segundo ele, características como isolamento ou dificuldades afetivas não podem ser usadas como um “checklist”, já que pessoas envolvidas nesses casos também podem manter relacionamentos e uma vida social aparentemente organizada.