Texto por Francisco Clarin
Devorador de Estrelas é, sem dúvida, um forte candidato a entrar no meu top 5 de filmes do ano. É o tipo de história que te prende na missão desde o início e te faz torcer até o último momento, além de ser uma experiência visual que funciona muito bem no telão de cinema. Um filme próximo aos clássicos do gênero sci-fi, Interestelar e Perdidos em Marte.
Com uma produção que levou cerca de cinco anos, o projeto ganhou ainda mais peso por ser tratado por Ryan Gosling como um dos mais importantes de sua carreira. O envolvimento do ator aconteceu antes mesmo do lançamento do livro. Ele queria contar uma história sobre otimismo, amizade e esperança, com potencial para alcançar diferentes públicos, inclusive algo para assistir com as próprias filhas.
Inspirado no livro de Andy Weir, o filme acompanha Ryland Grace (Ryan Gosling), um professor de biologia e física, que acorda sozinho em uma nave espacial, sem memória. Aos poucos, enquanto tenta entender sua missão, ele também reconstrói seu passado e lida com a solidão após a perda da tripulação. O público vai descobrindo junto com o protagonista os motivos para ele ter ido ao espaço com outras três pessoas.
E aos poucos, é apresentado ao telespectador sua missão: as estrelas da Via Láctea estão morrendo, e cabe a ele descobrir uma forma de impedir e enviar esses dados para a Terra. Trata-se do Projeto Hail Mary, uma iniciativa governamental que surge como o último recurso para salvar o planeta. Essa construção narrativa, que mistura mistério e descoberta, mantém o espectador envolvido ao longo da jornada.
Grande parte do peso do filme está justamente no protagonista, que sustenta a narrativa praticamente sozinho. Ainda assim, ele consegue despertar a curiosidade de quem assiste. A dinâmica do filme muda, quando surge uma nova campanhia. Um ser alienígena que, assim como Grace, também busca salvar seu planeta.
A partir desse encontro, nasce uma relação improvável, marcada pela tentativa de comunicação entre duas espécies completamente diferentes. Rocky (nome dado ao alienígena) faz parte de uma raça alienígena que se comunica através de sons, próximo a forma de um morcego, e Grace tenta encontrar formar de conversar.
Mesmo sem uma comunicação imediata, a construção desse vínculo acontece de forma gradual e natural, trazendo humanidade à história com momentos cômico com piadas, gestos e histórias pessoais da vida de cada um. Esse desenvolvimento é um dos pontos mais interessantes da trama, pois transforma um desafio científico em uma conexão emocional e fala puramente de amizade
Visualmente, o filme te desperta os olhos. A direção de Phil Lord e Christopher Miller não tenta transformar o espaço em espetáculo o tempo todo. Em vez de exagerar, eles apostam em cenários que despertam curiosidade do telespectador pelo desconhecido, quase um senso de descoberta constante. Não é só bonito, é intrigante. Pois é imaginado a partir da percepção dos diretores sobre um ambiente que fica anos luz da terra.
No fim, Devorador de Estrelas te ganha no detalhe, na construção, e principalmente na forma como te faz embarcar na missão junto com o protagonista. Saí do cinema com aquela sensação rara de ter assistido algo que funciona tanto como espetáculo quanto como experiência emocional. Sem grandes excessos, o filme aposta na construção dos personagens e na força da narrativa. O filme claramente está lado a lado com Interestelar e Perdidos em Marte. Veja trailer abaixo: