Texto por Francisco Clarin
A primeira temporada de O Cavaleiro dos Sete Reinos chegou ao fim no último domingo (22) e deixa claro, desde o início, que sua proposta é bem diferente das produções que expandiram o universo de Westeros na última década.
Sem o orçamento milionário para CGI extravagante que marcou Game of Thrones e A Casa do Dragão, a série aposta em uma narrativa mais contida e intimista. O foco está na jornada de Dunk, um homem simples que, após enterrar seu mestre, decide seguir sozinho como cavaleiro andante, algo para o qual passou toda a vida se preparando.
A temporada acompanha justamente esse desejo de Dunk, em ser reconhecido como cavaleiro de verdade e honrar a memória de seu mestre. É uma história sobre identidade, legado e pertencimento, contada sem pressa e com atenção aos detalhes humanos, algo raro em grandes produções de fantasia atualmente.
Com apenas seis episódios de cerca de 30 minutos, é evidente que o orçamento é menor em comparação às séries anteriores do universo. Ainda assim, O Cavaleiro dos Sete Reinos consegue entregar um episódio de altíssima tensão no quinto capítulo, com o "Julgamento de Sete".
Com escolhas inteligentes de câmera, uso do nevoeiro, cenas em câmera lenta e forte foco nas atuações, o episódio se destaca como um dos melhores do ano. Não à toa, chegou a receber nota máxima (10/10) no IMDb, empatando com o “Ozymandias”, de Breaking Bad. A comparação, no entanto, não agradou a todos. Fãs de Breaking Bad iniciaram um boicote com avaliações negativas, reacendendo uma rivalidade antiga entre os públicos das duas séries. Atualmente, o episódio cinco acumula nota 8,7 no IMDb.
Outro grande acerto da série é a dupla improvável formada por Dunk e Egg. Inicialmente apresentado como um órfão esperto e misterioso, Egg conhece Dunk em um estábulo e o convence de que é o responsável por cuidar dos cavalos. Desde o primeiro encontro, a interação entre os dois é espontânea, com uma química natural que sustenta grande parte do carisma da série e conquistou rapidamente o público.
A jornada ganha ainda mais peso quando é revelado que Egg é, na verdade, o apelido de infância de Aegon Targaryen (o futuro Aegon V), quarto filho do príncipe Maekar Targaryen. Essa revelação adiciona camadas políticas e simbólicas à narrativa, trazendo o contraste entre a simplicidade na função de escudeiro e o peso do destino que aguarda o garoto.
No fim, O Cavaleiro dos Sete Reinos prova que não é preciso grandiosidade visual para contar uma boa história em Westeros. Com personagens cativantes, conflitos bem construídos e uma direção que sabe trabalhar com limites, a série entrega uma das experiências mais humanas e sensíveis já vistas nesse universo.