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Luany Sousa

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Césio-137 em Goiânia: veja fotos reais do maior acidente radiológico da história do Brasil

O caso teve início em setembro de 1987, quando dois catadores de materiais recicláveis entraram nas ruínas de uma clínica de radioterapia abandonada, o antigo Instituto Goiano de Radioterapia

A maior tragédia radiológica do Brasil ganhou uma minissérie na Netflix. | Foto: SEMAPI

Quase quatro décadas depois, o maior acidente radiológico da história do Brasil voltou ao debate público com o lançamento da minissérie Emergência Radioativa, da Netflix. A produção reconstitui, em detalhes, a sequência de erros, desconhecimento e negligência que transformaram um objeto aparentemente inofensivo em uma tragédia de grandes proporções.

Demolição do Ferro Velho onde a cápsula de Césio-137 foi aberta - Foto: Agência Internacional de Energia Atômica

O caso teve início em setembro de 1987, quando dois catadores de materiais recicláveis entraram nas ruínas de uma clínica de radioterapia abandonada, o antigo Instituto Goiano de Radioterapia. No local, encontraram um equipamento esquecido: uma máquina usada em tratamentos contra o câncer, que continha uma cápsula com Césio-137 — um material altamente radioativo.

Cápsula de onde saiu o Césio-137-Foto: Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN)

Sem qualquer noção do risco, o equipamento foi desmontado e vendido a um ferro-velho. Dias depois, ao violar a cápsula, o dono do local se deparou com um pó azul brilhante, que chamava atenção pela aparência quase “mágica”. O material passou a ser manuseado, exibido e até distribuído entre amigos e familiares.

Leide das Neves virou símbolo da Tragédia, sobrinha do homem responsável pela compra do Césio-137, ela ingeriu o Césio por acidente e morreu cerca de 1 mês depois junto com sua tia - Foto: Reprodução/TV Anhanguera

A partir daí, a contaminação se espalhou silenciosamente por diferentes regiões de Goiânia. Entre os casos mais emblemáticos está o de Leide das Neves Ferreira, uma criança de seis anos que ingeriu o material ao brincar com o pó luminoso. Ela foi a primeira vítima fatal do acidente, tornando-se símbolo da tragédia. Ao todo, quatro pessoas morreram em decorrência direta da contaminação, e centenas sofreram efeitos da radiação.

Maria Gabriela, tia de Leide, foi responsável por levar a capsula até a vigilância Sanitária, é considerada uma heroína, sem esse efeito, as consequência do desastre seriam ainda piores - Foto: PF

A situação só começou a ser compreendida dias depois, quando sintomas como náuseas, vômitos, queimaduras e fraqueza extrema passaram a aparecer em diversas pessoas que tiveram contato com o material. A identificação da radiação mobilizou autoridades e deu início a uma operação de emergência sem precedentes no país.

Material contendo o Césio-137 em uma cadeira na porta da Vigilância Sanitária - Reprodução: CNEN

Mais de 100 mil pessoas foram monitoradas. Equipes especializadas isolaram áreas contaminadas, demoliram casas e recolheram toneladas de materiais radioativos. Vítimas foram encaminhadas para tratamento, muitas delas com sequelas físicas e psicológicas que persistem até hoje.

Equipe médica que cuidou das vitimas do Césio-137 no Hospital Geral de Goiânia - Foto: Livro Césio-137: A história do acidente radioativo em Goiânia

O episódio também escancarou falhas graves na fiscalização e no controle de materiais nucleares no Brasil. O abandono do equipamento sem segurança adequada foi determinante para que o acidente acontecesse.

Lesões provocadas pelo Césio-137-Foto: Livro 

Nos anos seguintes, o caso provocou mudanças importantes na legislação e na fiscalização nuclear brasileira, com reforço no papel da Comissão Nacional de Energia Nuclear. As regras para armazenamento, transporte e descarte de materiais radioativos ficaram mais rígidas, e clínicas e hospitais passaram a ser obrigados a seguir protocolos mais rigorosos de segurança, com inspeções periódicas para evitar novos episódios.

Demolição de casas contaminadas pelo Césio-137-Foto: Agência INternacional de Energia Atômica

Até hoje, áreas afetadas seguem sob monitoramento constante. Parte do material contaminado foi transferida e armazenada em um depósito controlado em Abadia de Goiás, onde permanece sob vigilância técnica. 

Enterro das vitímas - Foto: Reprodução

A região continua sendo acompanhada por equipes especializadas, que realizam medições regulares de radiação para garantir que não há riscos à população — um lembrete permanente de que, mesmo décadas depois, os efeitos daquele setembro de 1987 ainda não foram completamente encerrados.

Local onde foi colocado todos os lixos radiotivos contaminados pelo Césio-137

*** As opiniões aqui contidas não expressam a opinião no Grupo Meio.
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