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Suspeito é preso em flagrante durante operação contra envenenamento de animais em Parnaíba

Diferente de operações convencionais, a estratégia adotada foi a chamada “asfixia logística”. Na prática, isso significa interromper o caminho do crime antes mesmo que ele aconteça

Central de Flagrantes de Parnaíba | Foto: Reprodução

A Polícia Civil do Piauí deflagrou nesta quarta-feira (29) em Parnaíba, a Operação Antídoto, uma ação considerada inédita no estado por atacar não apenas os autores diretos, mas toda a estrutura por trás do crime de envenenamento contra animais. 

Durante a operação uma grande quantidade de materiais foram apreendidas, e um suspeito identificado pelas iniciais M.L.L.F foi preso em flagrante por manter em depósito e comercializar substância sem registro no orgão de vigilância sanitária competente. Além das infrações contra a saúde pública, o investigado responderá pelos agravantes previstos na Lei de Crimes Ambientais.

De acordo com informações repassadas a essa colunista, o alvo principal da operação é a cadeia de fornecimento de veneno utilizada no envenenamento de animais registrado durante o “Abril Laranja”

Foto: Divulgação - Material apreendido

MORTES DE ANIMAIS

A investigação apura a morte de 28 animais, entre cães, gatos e aves, todos vítimas de biocídio por substâncias tóxicas. O caso acendeu um alerta não só pela crueldade, mas pelo risco à saúde pública, já que o produto utilizado, o carbofurano (popularmente conhecido como “chumbinho”), é proibido no Brasil.

Diferente de operações convencionais, a estratégia adotada foi a chamada “asfixia logística”. Na prática, isso significa interromper o caminho do crime antes mesmo que ele aconteça. 

“Nosso objetivo é realizar o que se chama na doutrina de inteligência policial de asfixia logística, atacando a origem, o instrumento dos crimes. Queremos dificultar o acesso e até erradicar a circulação desse material”, explicou o delegado Renato Pinheiro

MONITORAMENTO

A Polícia Civil monitorou a circulação das substâncias tóxicas e conseguiu identificar pontos de fornecimento, resultando na apreensão do veneno nesta quarta-feira. Com isso, segundo a investigação, houve a interrupção do chamado iter criminis, ou seja, o ciclo do crime foi quebrado antes de novos ataques.

Foto: Divulgação/SSP-PI

De acordo com o delegado Renato Pinheiro, a principal linha investigativa aponta que os envenenamentos podem estar ligados a uma tentativa de controle populacional irregular de animais. 

“Pela ausência de políticas públicas de controle, há uma proliferação desordenada, especialmente de gatos, o que tem gerado incômodos”, afirmou. 

Ainda segundo ele, há três focos identificados em bairros distintos de Parnaíba. 

operação antídoto

A operação contou com atuação integrada de diferentes forças, incluindo a Companhia Independente de Policiamento Ambiental (CIPA), Vigilância Sanitária, Força Tática do 27º BPM, Corpo de Bombeiros e Guarda Municipal. O material apreendido foi encaminhado ao Instituto de Criminalística, onde passará por perícia para confirmar o grau de letalidade da substância.

Os investigados poderão responder por crimes previstos na Lei de Crimes Ambientais, com agravantes pelo uso de veneno, considerado um meio insidioso, e pela continuidade das ações. A Polícia Civil também destaca que, além das mortes de animais, o uso desse tipo de substância representa risco direto à população, podendo provocar intoxicações acidentais e até mortes.

*** As opiniões aqui contidas não expressam a opinião no Grupo Meio.
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