- Corpos encontrados em diferentes regiões de São Paulo suscitam suspeitas de ação de serial killer.
- Primeiro corpo foi localizado em 5 de setembro na Zona Sul, em condições semelhantes a outros casos.
- Secretaria da Segurança Pública descarta ligação entre os casos e afirma não haver evidências de serial killer.
- Investigações consideram possíveis envolvimentos de facções criminosas ou justiceiro, sem confirmação de ligação.
- Até 12 de outubro, dez corpos ou restos mortais foram encontrados em 37 dias, com circunstâncias variadas.
Precisamos falar sobre a história que tomou conta das redes sociais nas últimas semanas: a suspeita de que um serial killer estaria agindo em São Paulo. A repercussão começou após uma sequência de corpos ser encontrada em diferentes regiões da capital, muitos deles em condições semelhantes. Mas o que se sabe sobre esses casos?
Tudo começou no dia 5 de setembro, quando garis encontraram o corpo de um homem amarrado com cordas dentro de um saco plástico preto, na Zona Sul de São Paulo. A partir desse primeiro registro, outras ocorrências passaram a chamar a atenção pela frequência e pelas circunstâncias em que as vítimas eram encontradas.
OUTROS CORPOS
No dia 10 de setembro, dois corpos foram localizados na Zona Leste. Um deles estava envolto em um cobertor, enquanto a cabeça foi encontrada dentro de um saco. O outro era de uma mulher, cujo corpo também estava ensacado.
Três dias depois, em 13 de setembro, outro corpo foi encontrado dentro de um saco na mesma região. Já no dia 19, um cadáver decapitado e esquartejado foi localizado dentro de sacolas na Zona Norte da capital.
A sequência continuou no dia 25 de setembro, quando mais dois corpos foram encontrados. Na Zona Sul, uma vítima estava enrolada em uma coberta. Na Zona Oeste, outra foi localizada carbonizada dentro de um carro incendiado.
Em 27 de setembro, uma cabeça humana foi encontrada na Zona Sul. No dia 2 de outubro, outro corpo ensacado foi localizado na Zona Leste.
Já na noite de 12 de outubro, a Polícia Civil registrou mais um caso. O corpo de um homem ainda não identificado foi encontrado dentro de um saco plástico na Rua José Pinheiro Bezerra, no bairro do Belenzinho, também na Zona Leste. O local foi isolado para a realização da perícia, e o caso é investigado como homicídio. Até o momento, nenhum suspeito foi identificado ou preso.
Ao todo, foram dez ocorrências envolvendo corpos ou restos mortais encontrados na capital em um intervalo de 37 dias, desde 5 de setembro. A semelhança entre alguns dos casos alimentou especulações nas redes sociais sobre a possível atuação de um assassino em série.
MODUS OPERANDI?
Os corpos foram encontrados em sacos plásticos, cobertores, lençóis, edredons e sacolas. Também houve registros de vítimas amarradas, baleadas, queimadas, decapitadas e esquartejadas. Essas circunstâncias contribuíram para que a hipótese de um serial killer ganhasse força entre os internautas.
Mas existe, de fato, um assassino em série por trás dessas mortes?
Segundo a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, a hipótese de uma atuação de serial killer foi descartada. Até o momento, não há evidências de que os homicídios estejam relacionados entre si ou tenham sido cometidos por uma mesma pessoa. Os casos são investigados individualmente.
Uma das linhas de investigação considera a possibilidade de que parte das mortes tenha ocorrido no contexto do chamado “Tribunal do Crime”. Trata-se de um sistema clandestino utilizado por facções criminosas para julgar e punir pessoas acusadas de desrespeitar regras impostas pelos grupos. As punições podem incluir agressões e até execuções.
UM JUSTICEIRO?
Parte das vítimas tinha antecedentes criminais, e a polícia não descarta o envolvimento de organizações criminosas. Outras possibilidades, como vingança ou a atuação de um possível justiceiro, também são consideradas. As circunstâncias de cada crime, porém, precisam ser analisadas separadamente.
Apesar da repercussão e das semelhanças observadas em algumas ocorrências, não há confirmação de que os dez casos tenham uma ligação entre si. A hipótese de um serial killer, que viralizou nas redes sociais, não é sustentada pelas informações divulgadas pelas autoridades até agora.